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  1. Mais um texto sobre rodas de samba, publicado no Brasil de Fato.

    Na segunda-feira – tradicional dia de folga dos músicos - um grupo de sambistas sob o comando de Moacyr Luz promove, há oito anos, o Samba do Trabalhador, roda que já se tornou referência para os apreciadores do estilo.
    O Clube Renascença, um dos espaços mais tradicionais da cultura negra do Rio de Janeiro, fundado há 62 anos, abre as portas para trabalhadores que fazem do dia que inicia a semana útil, considerado ingrato para muitos, mais um momento de diversão e encontro.
    Além de Moacyr Luz, violão e voz, levam o Samba do Trabalhador os músicos Gabriel Cavalcante (da Muda), violão, cavaco e voz; Alexandre Nunes, cavaco e voz; Álvaro Santos, percussão e voz; Luiz Augusto, percussão; Junior de Oliveira, percussão; Mingos Silva, percussão e voz e Daniel Neves, violão de sete cordas.
    Apesar da coincidência com o nome da conhecida canção de Darcy da Mangueira, Samba do Trabalhador (ocioso), que tem versos como “Na segunda-feira não vou trabalhar”, Moacyr Luz ressalta que a intenção da roda é justamente o oposto.
    “Os trabalhadores músicos emprestam seu dia de folga para os outros trabalhadores, num espaço com música de qualidade. A música do saudoso Darcy fala da pessoa que não quer trabalhar”, esclarece o compositor, que tem canções gravadas por sambistas como Zeca Pagodinho, entre outros.
    A roda que acontece no Renascença já foi registrada em CD e DVD duas vezes. A última, em 2013, no recém-lançado “Moacyr Luz e Samba do Trabalhador”.

    Clube Renascença
    A história do Renascença, erguido por negros de classe média que sofriam preconceito ao tentar frequentar clubes, no início do século, e, por isso, se juntaram para criar um espaço próprio, reforça a singularidade do local escolhido para a roda.
    Se em clubes comuns o lazer é a finalidade mais explícita, no “Rena”, como é apelidado, a cultura é o ponto forte. Já na entrada do Clube, barracas vendem CDs de samba e músicas de referências afro-brasileiras, literatura de cordel com títulos curiosos comoArlindo Cruz e a Incrível história do Bagaço da Laranja, acarajé das mãos de baianas, e guias (colares de umbanda) montadas na hora por artesãos.

    Encontro de gerações
    O Samba do Trabalhador serve também como ponto de encontro para gerações de sambistas. Moacyr Luz, de uma geração mais antiga, conta que a ideia inicial do samba era que os mais velhos apresentassem os novos talentos. E este papel foi cumprido, segundo ele.
    Dentre os músicos que tocam ali, dois já lançaram CDs próprios. Gabriel Cavalcante lançou, em 2010, o álbum intitulado O que vai ficar pelo salão e Alexandre Nunes, o álbum Marmita, de 2011.
    Nova promessa do Samba do Trabalhador, o percussionista Álvaro Santos foi citado pela cantora Beth Carvalho em recente entrevista. “Eu fiquei lisonjeado e muito agradecido por ter meu trabalho aqui no Samba do Trabalhador reconhecido”, comemora.

    Samba de Roda
    O clima de samba de roda permeia todo o encontro musical de segunda-feira. “Músicas que não são aceitas pelos programadores de rádio, aqui são cantadas de ponta a ponta”, defende Moacyr Luz.
    A roda abre espaço para outros músicos que queiram puxar sambas de improviso. Na última segunda-feira, o compositor Eros Fidelis (da canção Falsa Consideração) participou com algumas de suas músicas.
    O público fiel também vira destaque no Renascença. Além de dançar e cantar todas as letras, as palmas das mãos das mais de mil pessoas ali presentes viram percussão. Uma delas é Dona Dalila, moradora da Tijuca e portelense de coração, que comemorou 89 anos na última segunda-feira, no Samba do Trabalhador, ao lado da família.
    Ela conta que participa da roda desde seu início. “O samba é a minha vida”, afirma, cantando e sambando.

    Samba do trabalhador
    Local: Clube Renascença, Rua Barão de São Francisco, 54, Tijuca
    Dia: Todas as segundas-feiras
    Preço: R$ 10
    Horário: a partir das 16h30
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  2. Publicado na edição do jornal Brasil de Fato de 29/8/2013

    Praça Barão de Drummond, em Vila Isabel, é palco para o Movimento Cultural Roda de Samba do Barão todas as quartas-feiras

    As calçadas com notas musicais de sambas de Ary Barroso, Pixinguinha, Vadico e Chiquinha Gonzaga, entre outros, anunciam que, em Vila Isabel, a música encontra um de seus principais palcos na cidade do Rio de Janeiro. É neste inspirador cenário que os músicos do Movimento Cultural Roda de Samba do Barão levam, todas as quartas-feiras, na praça Barão de Drummond, mais uma das opções de rodas populares de samba na cidade.
    O bairro que já foi reduto de Noel Rosa e tem atualmente Martinho da Vila como principal referência musical, recebe os sambistas cuja proposta é reverenciar músicos e compositores tradicionais do samba e do choro. “Tocar em um bairro tradicionalmente musical, que já foi frequentado por tanta gente boa do mundo do samba, como Vila Isabel, é muito significativo”, afirma o músico Marcelo Moraes, um dos idealizadores do projeto cultural.
    A roda, que acontece há um ano e meio, resgata para Vila Isabel a característica comunitária e familiar das rodas de samba do passado. Data de 25 anos atrás a última manifestação cultural desse gênero no bairro, quando mestre Trambique (atualmente um dos mestres de honra da bateria da Unidos de Vila Isabel) promovia uma reunião musical naquela região.
    E é a comunidade o principal público da Roda de Samba do Barão. A praça onde acontece o evento fica lotada de famílias que levam os filhos para brincar nos parques públicos, casais de namorados e jovens e adultos que frequentam bares instalados ali. São os próprios moradores que organizam barracas de cerveja, caldo de feijão e churrasquinho, produtos que são vendidos para manter a estrutura do evento, que tem até cadeiras e mesas para o público.
    Um desses moradores, Aldo de Vila Isabel, como fez questão de se apresentar, afirma que apoia o movimento por uma motivação pessoal. “Não sou sambista, sou um ‘sambador’, e por isso incentivo rodas como esta, cada vez mais difíceis de encontrar hoje em dia no Rio de Janeiro”, opina.
    Entre os colaboradores da roda, estão também os familiares de Martinho da Vila - considerado o patrono do Movimento pelos músicos - e integrantes da Velha Guarda da escola de samba Unidos de Vila Isabel.
    Movimento Cultural
    Com a proposta de levar muito mais do que uma roda de samba ao bairro, que no século XIX era a Fazenda do Macaco (aos pés do atual morro dos Macacos), os sambistas promovem, além do encontro de todas as quartas, um evento mensal no primeiro domingo do mês. Teatro infantil, balcão de emprego, feijoada, varal de poesias, exposição de fotografias, sarau e circo integram a atividade que termina com a projeção de um filme sobre o samba ou a história do Rio de Janeiro.

    O início e os projetos
    Em 2009, os músicos Marcelo Moraes, Beto Timbó e PC se reuniram para uma roda de samba no local. Com o tempo outros músicos foram se unindo ao movimento que, há um ano e meio, ganhou o formato atual. A roda é conduzida pelos instrumentistas Freitas, no trombone, Hugo Batera, no pandeiro, Luciano Bom Cabelo e Jorge Nei, no cavaco e voz, Vinicius Magno, violão sete cordas, Beto Timbó, no surdo, PC, tantã e Marcelo Moraes, violão.
    Atualmente, o grupo está finalizando o projeto da gravação de um CD com composições de Noel Rosa voltado para o público infantil. Sem patrocínios até então, eles também pensam em gravar futuramente canções de compositores desconhecidos de Vila Isabel, muitos deles integrantes da escola de samba do bairro.


    Serviço
    Roda de Samba do Barão
    Dia: Quarta-feira
    Horário: a partir das 19 horas
    Local: Praça Barão de Drummond, Vila Isabel
    Preço: Gratuito



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