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  1. Zé e Paulinho

    31 de janeiro de 2012

    Quando o assunto é fazer um bom dueto, Marisa Monte é professora. Desde o início de sua carreira que a cantora nos brinda com belos encontros musicais. Velha Guarda da Portela, Novos Baianos, Ed Motta, Adriana Calcanhoto, Renato Russo, David Byrne, e os tribalistas Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown, com quem ela tem um CD e mais uma lista de músicas espalhadas por projetos isolados e álbuns.

    Mas são os encontros com Paulinho da Viola que têm proporcionado os melhores momentos desta grande artista. É o encontro do samba elegante de Paulinho com a voz brilhante de Zé (o apelido de Marisa), interpretando músicas que são poesia pura.

    Nesta seleção, trechos dos documentários "O Mistério do Samba" e "Meu Tempo é Hoje":







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  2. Os acústicos

    26 de janeiro de 2012

    A fórmula já é conhecida e batida. Uma banda decadente (ou não) do rock Brasil dos anos 80 grava seus antigos sucessos em versões acústicas, com instrumentos sofisticados. Chama uma meia dúzia de convidados para cantar junto e pronto: sucesso de vendas e, às vezes, um novo fôlego pra carreira.

    Alguns desses acústicos acabaram proporcionando encontros memoráveis que valem a pena ser citados na minha lista. Um deles é o da banda paulista Ira! com a roqueira baiana (!) Pitty. O Ira! é um grupo que definitivamente não faz a minha cabeça. Melodias muito pesadas, letras com temática urbana ao extremo e um vocalista mediano. Tem o Edgar Scandurra, que é uma exceção, com uma das melhores guitarras da música brasileira. Mas com Ira! a coisa não funciona (a banda anunciou seu fim em 2007).

    Pitty é das poucas roqueiras da atualidade que conseguiram fazer sucesso no mainstream. Foi considerada por Lobão, a última cantora (até então, em 2011) com a atitude genuinamente rock ‘n’ roll. Provavelmente ele estava falando da característica “revoltadinha” da baiana que desde o início de sua carreira vem quebrando alguns paradigmas (o fato de ser uma cantora baiana é talvez o maior deles). Das letras com tom de rebeldia, como faziam os roqueiros à moda antiga. E claro, das características, digamos, físicas de uma verdadeira rockstar: maquiagem forte, roupas de tons escuros e alguns metais e tatuagens pelo corpo.

    O fato é que essa música, Eu quero sempre mais, cantada junto com Pitty salva o álbum acústico do Ira! A letra é boa, a voz e interpretação da moça são ótimas, e a junção com a voz regular de Nazi soou muito bem. Fez com que essa canção figurasse entre as mais tocadas no ano de 2005 (ECAD) e até hoje bem executada em rodas de viola por aí.




    Outros bons encontros saídos dos acústicos:

    Rita Lee e Milton Nascimento – Mania de Você





    Kid Abelha e Lenine – Na rua, na chuva, na fazenda





    Gal Costa e Zeca Baleiro – Vapor barato/Flor da pele





    Sandy e Júnior (!) e Marcelo Camelo – As quatro estações (nunca pensei que citaria essa dupla infantil em uma lista de boas canções, mas com a participação de Camelo o negócio funcionou muito bem)





    Titãs e Fito Paez – Go Back





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  3. Resolvi criar nova lista de canções. Dessa vez com os melhores duetos e parcerias musicais da minha playlist. Um dueto ou uma parceria é a reunião de músicos por vezes tão distintos, por vezes tão semelhantes, que transformam músicas já bonitas, em momentos memoráveis e únicos. Às vezes bastam dois banquinhos, um violão para que aquele instante de sintonia se materialize numa obra inesquecível para nós.

    Pra começar, não poderia ser diferente. A música se chama "Dueto", é de Chico Buarque, cantada por ele e Paula Toller (do Kid Abelha), num especial exibido pela Band, em 1985. Letra que fala da parceria no amor, inteligente como só o Chico sabe fazer. Exemplo de junção de dois universos musicais totalmente diferentes, que quando reunidos, conseguem deixar as diferenças de lado. A própria Paula fala desse embate, que ela considera burrice:

    "Recebi a fita com a música que era difícil. O nome dela era Dueto e ele costumava cantar com a Nara Leão. Eu tive duas horas para decorar a música. Melodia difícil, aquelas coisas do Chico cheias de palavras parecidas, mas todas diferentes. Cheguei lá, esperei à beça, chegou na hora de apresentar, ele olhava prum lado e eu pro outro. Ele é supertímído, eu então nem se fala. Depois ficamos tocando violão, tomando vinho, comendo pão com queijo, foi ótimo. Repito, essa história toda de verdadeira MPB versus roqueiros ou popeiros sem talento e embromadores é cascata e burrice."

    O resultado é um belo encontro de gerações musicais. Dá pra reparar que a timidez foi a tônica da parceria pelos olhares furtivos de Chico e Paula, mas que fazem todo o charme da cena. Quase sem jeito com a presença um do outro, mas com profissionalismo evidente. Destaque para a voz da Paula no início da carreira – fase em que sua afinação e timbre eram bastante criticados – e que aqui ficou doce e afinadíssima numa música cheia de nuances sutis.




    Dueto
    (Chico Buarque)

    Consta nos astros, nos signos, nos búzios
    Eu li num anúncio, eu vi no espelho, tá lá no evangelho, garantem os orixás
    Serás o meu amor, serás a minha paz
    Consta nos autos, nas bulas, nos dogmas
    Eu fiz uma tese, eu li num tratado, está computado nos dados oficiais
    Serás o meu amor, serás a minha paz
    Mas se a ciência provar o contrário, e se o calendário nos contrariar
    Mas se o destino insistir em nos separar
    Danem-se os astros, os autos, os signos, os dogmas
    Os búzios, as bulas, anúncios, tratados, ciganas, projetos
    Profetas, sinopses, espelhos, conselhos
    Se dane o evangelho e todos os orixás
    Serás o meu amor, serás, amor, a minha paz

    Consta na pauta, no Karma, na carne, passou na novela
    Está no seguro, pixaram no muro, mandei fazer um cartaz
    Serás o meu amor, serás a minha paz
    Consta nos mapas, nos lábios, nos lápis
    Consta nos Ovnis, no Pravda, na Vodca
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  4. Humm... É... Crise?

    10 de janeiro de 2012

    Todos os jornais falam, as conversas em algumas rodas também acabam tocando nesse assunto: a crise financeira global. Mas traduzir o que realmente está acontecendo no mundo não é tarefa muito fácil. Leio diariamente sobre o tema por motivos profissionais, e nestas leituras encontrei um artigo publicado no jornal Valor Econômico bem interessante e didático que explica os motivos e tenta adiantar algumas das possíveis consequências da tão citada "Crise". Durante o texto coloquei alguns hiperlinks para esclarecer alguns termos. Boa leitura!



    A "Grande Recessão"

    Por Yoshiaki Nakano*

    A crise financeira do subprime e o colapso do sistema financeiro com a quebra do Lehman Brothers desencadeou a chamada "Grande Recessão". Mas ela é um fenômeno distinto da crise financeira em si. Com a crescente incerteza, as economias dos países centrais saem da normalidade e passam a ser regidas por comportamentos induzidos pela incerteza, medo, pânico etc., nos quais prevalecem a lógica da desalavancagem, da "balance sheet recession" e da demanda de ativos com sinais trocados gerando instabilidades nesses mercados. Como entender o que acontecerá como a economia global nesse contexto? A experiência histórica similar, a "Grande Depressão de 1890", a "Grande Depressão de 1930" e a crise japonesa dos anos 90, nos permite fazer analogias e algumas conjecturas sobre o que acontecerá nos próximos anos.

    A atual "Grande Recessão" não deverá ser tão profunda quanto a "Grande Depressão de 1929 a 1939", afinal aprendemos alguma coisa com ela, mas será tão abrangente e duradoura quanto e deverá ter significado histórico similar ao da "Grande Depressão do final do século XIX.

    Será abrangente no sentido de ser uma crise global, diferentemente da crise japonesa, ou seja, é uma crise do próprio processo de integração e globalização financeira promovido pela plutocracia financeira que vem exercendo poder, tanto nos Estados Unidos como na Europa (talvez nem tanto na Alemanha). A "Grande Recessão" está centrada nos Estados Unidos e Europa, e já vem causando uma crise de governabilidade, mas tem também causas e dimensão internacional de forma que nenhum país ficará inume a seus efeitos de uma forma ou outra.

    Será duradoura porque como a crise dos anos 30 e a crise japonesa ela afeta tanto os credores/emprestadores como os devedores/tomadores de empréstimos. O Federal Reserve (Fed, banco central americano) aumentou brutalmente a oferta de moeda e reduziu a taxa de juros para próximo a zero procurando salvar credores/emprestadores, subsidiando-os. Assumindo a função de emprestador em última instância, absorve ativos problemáticos no seu balanço, mas não resolve o problema dos devedores, que tiveram sua riqueza financeira destruída pela crise, e agora têm que pagar as dívidas.

    A política monetária pode também resolver o problema de liquidez do credor/emprestador, que detém ativos emitidos pelos devedores, já que o banco central está disposto a prover recursos com juros zero para que continuem carregando os ativos e assim fazendo por longo período poderá mascarar, amenizar e, com o tempo suficientemente prolongado, até resolver o problema de insolvência.

    Do outro lado, tanto as famílias como as empresas que se endividaram excessivamente durante o boom de crédito que antecedeu a crise, têm que desalavancar, aumentando a poupança (deixando de consumir e de investir produtivamente) para pagar a dívida acumulada. A "Grande Recessão" é o resultado dessa redução persistente da demanda agregada. Aqui a política monetária não tem efeito, pois somente uma política fiscal ativa pode recolher o aumento de poupança privada e reinjetá-la de volta no sistema econômico como demanda, para reanimar a economia. E essa foi a reação de todos os governos. Mas ao executar essa política, o déficit público aumenta e, com isso, a dívida publica se transforma também em crise da dívida soberana. A reação política da sociedade contra a classe dirigente será quase imediata. Ela está perdendo tanto a credibilidade como legitimidade, abrindo espaço para a ação de grupos radicais, tornando praticamente impossível manter uma política fiscal para tentar sustentar o nível de atividade econômica.

    Ao contrário, os investidores perceberam que os governos estão com a dívida crescendo rapidamente e perdendo legitimidade e vão não só deixar de financiar os seus déficit, mas vão tentar desfazer dos títulos públicos com consequente elevação da taxa de juros. Na medida em que a política fiscal fica travada, podemos ter uma nova contração no nível de atividade, agravando o problema de déficit publico. Assim, somente quando a segunda contração for suficientemente profunda e prolongada a trava política da política fiscal será removida.

    Qual o significado histórico da "Grande Recessão"? Em primeiro lugar essa é uma crise centrada nos Estados Unidos e Europa, portanto do núcleo do sistema global. Internamente, nesses países, foi a ascensão da plutocracia financeira, com a aliança do setor industrial, no início dos anos 1980 que permitiu a desregulamentação do sistema bancário e consequente introdução de inovações financeiras e explosão de crédito que gerou a crise. O poder do setor industrial já estava em declínio com a desindustrialização. Agora, tanto os Estados Unidos como a Europa, nas próximas décadas, deverão ter como prioridade absoluta a revitalização das suas economias, voltando-se para dentro eventualmente com medidas protecionistas, para enfrentar a ascensão da China.

    Somado a isso, a perda de credibilidade e de legitimidade da sua classe dirigente, a governança global mudará radicalmente. Viveremos nas próximas décadas um interregno com a ausência de um centro que ditava as regras do jogo, exercia liderança política e ideológica e impunha um pensamento econômico.

    A "Grande Recessão" será um longo processo de declínio da hegemonia americana, de um paradigma histórico e a gradual ascensão da China. Com o colapso de um paradigma, de um modelo econômico (uma variedade de capitalismo) que prevaleceu plenamente nas últimas três décadas, o que virá no seu lugar?

    *Yoshiaki Nakano, ex-secretário da Fazenda do governo Mário Covas (SP), é professor e diretor da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas - FGV/EESP.
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  5. Ano samba, bossa e rock 'n' roll

    2 de janeiro de 2012

    Seu Garçom faça o favor de me trazer depressa uma boa... *Pra abrir essa breve conversa de botequim.

    Foi samba esse ano que passou. Não faltaram boas prosas regadas a cervejas e petiscos. Também não faltaram grandes desafios, e em todos eles pude contar com bons companheiros, grandes parceiros, com ou sem dinheiro, em noites e dias sem paradeiro.

    Grandes mudanças nesse ano que passou. Mudança de emprego, mudança de casa, mudança de ponto de vista, mudança de vista: “da janela vê-se o Corcovado, o Redentor que lindo”**. Foi ainda um ano bossa nova.

    Mudança de relacionamento no Facebook. “Mudanças no meu comportamento, distância louca de mim mesmo”***. Mudança de atitude. Também foi um ano rock 'n' roll.

    Obrigado aos amigos dos bares, aos amigos dos lares, aos amigos familiares, aos amigos melhores, aos amigos amores, aos amigos de todos as horas e lugares. Enfim, obrigado!

    Seu garçom, fecha a conta, por favor, que em 2012 tem mais!

    * Letra do samba Conversa de Botequim de Noel Rosa e Vadico. ** Letra da clássica bossa Corcovado de Tom Jobim. *** Letra do clássico rock tupiniquim Mudança de Comportamento, do Ira! (Edgar Scandurra)




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