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  1. Em 2013...

    31 de dezembro de 2012

    Seja feliz

    (Arnaldo Antunes / Dadi / Marisa Monte)

    Seja feliz
    Com seu país
    Seja feliz
    Sem raiz
    Seja feliz
    Com seu irmão
    Seja feliz
    Sem razão
    Tão longa a estrada
    Tão longa a sina
    Tão curta a vida
    Tão largo o céu
    Tão largo o mar
    Tão curta a vida
    Curta a vida
    Seja legal
    Com seu amor
    Seja legal
    Sem pudor
    Seja gentil
    Com sua figura
    Seja gentil
    Sem frescura
    Tão longa a estrada
    Tão longa a sina
    Tão curta a vida
    Tão largo o céu
    Tão largo o mar
    Tão curta a vida
    Curta a vida

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  2. 10 dicas de viagem para o mochileiro

    28 de dezembro de 2012

    Veja as dicas de viagem que preparei para as nossas férias no blog Oi Preguiça.

    http://oipreguica.com/10-dicas-de-viagem-para-o-mochileiro/
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  3. Desde que me entendo por gente, o mundo vai acabar. De onde vem esta curiosidade do ser humano por querer saber, prever e antever o tão aguardado fim do mundo? Provavelmente de resquícios de superstição que ainda cismam em perpetuar, mesmo quando tudo parece tão fácil de explicar cientificamente. 

    Dava até pra entender lá atrás, quando a humanidade se resumia a comunidades tribais e não entendia muito bem os fenômenos naturais. Ou depois que se reuniu em feudos, depois burgos, depois cidades, quando era ameaçada por doenças desconhecidas, pestes que se alastravam sem qualquer lógica compreensível.

    Hoje em dia, porém, acredito ser algo residual que acaba virando motivo pra alguma piada ou reportagem na sessão de “comportamento” do jornal. Mesmo assim (não) teve o 'Bug do Milênio', a previsão de Nostradamus, e outras mais...

    Sempre assisti a filmes com esta temática e confesso que, vez ou outra, vem um pesadelo com imagens cinematográficas que afloram direto do meu subconsciente para perturbar meu sono. Explosões, guerras nucleares, maremotos, terremotos, extraterrestres com armas superpotentes capazes de detonar a frágil crosta terrestre, doenças desconhecidas com poder de se alastrar em tempo recorde, ou o próprio anticristo em pessoa subindo das profundezas pra destruir tudo numa batalha celestial. A imaginação dos cineastas é infinita, verdade.

    E como a imprevisibilidade é uma certeza científica tão grande quanto a ordem natural dos fenômenos, sempre existirá uma possibilidade, ainda que remota e sem conexão com alguma previsão espetacular. Os pesquisadores especialistas estimam em anos o prazo de validade do universo. Algo em torno de 5 bilhões, provavelmente por conta de alguma tempestade solar devastadora (não me perguntem se esta seria capaz de acabar com o universo todo, também fiquei intrigado e duvidando quando li esta informação!).

    A possibilidade de a vida humana se tornar insustentável, pra usar o termo da moda, também já é alarmada aos quatro cantos do planeta por cientistas que acompanham as mudanças climáticas. Seria uma destruição de longo prazo, mas que necessitaria de transformações atuais dos meios de vida e de produção. Parece existir um ponto crítico, em que a derrocada do planeta seria irreversível. Não apenas por ameaças naturais, mas ao mesmo tempo por conta de um colapso nas relações entre as nações, o que poderia detonar alguma guerra de proporções globais.

    Se é pra escolher, eu fico com esta segunda hipótese. Até porque, é muito egocêntrico por parte do ser humano imaginar que uma civilização antiga (neste caso atual, os Maias) pudesse ter previsto o fim, se estamos em um universo infinito e mal conhecemos direito o nosso próprio sistema solar. Nós, humanidade que somos, estamos precisando repensar nossas atitudes em relação ao planeta e em relação uns aos outros. Por mais simples e piegas que está afirmação possa parecer. Como já disse por aqui este ano, respaldado por especialistas que deram até algumas dicas práticas (e por isso não vou ficar me estendendo), estamos precisando repensar as formas de relações humanas e com o planeta. 

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  4. Como bem escreveu Daniel Brazil em artigo publicado na eletrônica Revista Música Brasileira, dá pra encher um pen drive com gente talentosa entre os novos músicos da nossa MPB. Dá pra encher outro com músicos e bandas sem muito a acrescentar, mas sobre esses não vale a pena escrever uma linha sequer, apesar de ter perdido algum tempo ouvindo neste ano de 2012. É que falam tanto da “nova cena” e colocam todos em um patamar “indie” de “música boa” que acabo ficando curioso. Concordo com o senso comum que diz “música é gosto”, e por isso, pro meu gosto tem muita coisa sem relevância que veio pra passar, não pra ficar.

    É por isso também que nunca deixo de lado as obras musicais antigas, aquelas que já ficaram, deixaram sua marca inconfundível na música brasileira e influenciaram gerações. Gente muito boa que, por não ter sido eu contemporâneo de seu surgimento no cenário musical, acabei perdendo, e por isso “corro atrás” por gostar de música. Dos que vieram pra ficar ou já ficaram (na minha opinião de ouvinte atento), fiz uma lista com aqueles que descobri em 2012, em trabalhos novos ou antigos, mas que embalaram meus ouvidos ao longo do ano.

    Tulipa Ruiz – “Tudo tanto” é o nome do segundo álbum dessa promissora cantora (e desenhista) que emprega em sua voz e interpretação um tom lírico, mas ao mesmo tempo contemporâneo. Foi primeiramente lendo notícias sobre este, de 2012, que cheguei ao álbum de estreia da artista “Efêmera”, de 2010, que trás tesouros como a faixa título, ou a viciante e pop “Às vezes”. O disco novo, mais experimental que o primeiro, também “É” “Ok” (pra citar duas de suas melhores faixas), apesar de menos palatável.

    Thaís Gulin – Das muitas cantoras que aparecem todos os anos, nem todas coloco num patamar que considero “bom”. Entre as que valem a pena ouvir de perto, está Thaís Gulin, que alguns preconceituosos estão achincalhando pelo simples fato de ser “a namorada de Chico Buarque”. Seu som que mistura várias sonoridades e estilos musicais é original. Ela mereceu o título de “musa” do mestre Chico, não apenas pelos seus dotes físicos, mas sobretudo pelo talento evidente. O álbum de estréia “ôÔÔôÔÔôô” é boa MPB do início ao fim.

    Chico Buarque  Entre os vários artistas citados nesta lista, muitos deles são declaradamente influenciados por este poeta, escritor, cantor, compositor e “peladeiro”. Apesar de conhecer muitas de suas músicas (quem não conhece pelo menos uma), nunca tinha me dedicado tanto em ouvir sua obra. Redescobrir Chico Buarque foi prazeroso. A começar pelos seus sambas, os quais compõe com maestria, passando por álbuns mais recentes como “Chico” e “Carioca”, entre outros, fiquei impressionado em ouvi-lo dividindo o microfone com Caetano Veloso, no álbum “Juntos e Ao Vivo” de 1972.

    A Tribute to Caetano Veloso – Por falar no tropicalista, um dos melhores álbuns de 2012 foi a coletânea da Universal Music em comemoração aos seus 70 anos de idade completados este ano. Artistas brasileiros e de outros países como Marcelo Camelo, Jorge Drexler, Miguel Poveda, Seu Jorge e Beck, se uniram para cantar alguns clássicos e vários “lados B” de Caetano. É um disco pra redescobrir parte da vasta obra do cantor em interpretações e arranjos bem diferentes dos originais. Destaque para “London, London”, a música do exílio, com os Mutantes, “You Don’t Know Me”, com o grupo britânico The Magic Numbers, e a contagiante versão de Céu para “Eclipse Oculto”.

    Emerson Leal – Não parou de tocar no meu som nesses últimos meses do ano o álbum desse cantor de Salvador. “Emerson Leal é o nome dele”, disse Chico Buarque há um ano atrás sobre o cantor, prenunciando o lançamento de um álbum de estreia cheio de pérolas musicais. Repito “(o que é que te deu) De repente” algumas vezes quando ouço o disco, que traz composições em parceria com Tom Zé (“Círculo”) e Luiz Tatit (“Das dores e das flores” e “Coisa Perene”).

    Paulinho da Viola – Foi no primeiro dia do ano de 2012 que copiei pro meu pen drive parte da obra desse grande nome do samba brasileiro. Um amigo me passou, e passei o ano entre “Coração Leviano”, “Para ver as meninas”, “Onde a dor não tem razão”, “Coração da gente”,... Não é atoa que o compositor de “Foi um rio que passou em minha vida” é um dos preferidos dos novos cantores de samba Brasil afora.

    Céu – Confesso que não conseguia ouvir um CD inteiro de Céu (há músicas muito experimentais pro meu gosto). Mas é dela a voz que sempre considerei a mais original entre as cantoras da nova safra da MPB – não encontrei ninguém que soasse parecido. Pra ouví-la sempre pegava as mais sonoras de cada um dos discos da cantora e misturava em uma pasta do pendrive, pra ouvir no carro. Sempre estiveram lá “10 contados”, “Malemolência”, “Vira-Lata”, “Bubuia”, “Samba na Sola”, entre outras. Com o CD novo, "Caravana Sereia Bloom", a coisa mudou. A moça encontrou o tom e fez, sem dúvida, o seu melhor trabalho até aqui. Destaque para todas as canções!

    O Baile do Simonal – Contagiante do início ao fim, o álbum de 2011 realizado por Max de Castro e Simoninha, filhos de Wilson Simonal, foi sem dúvidas o mais tocado este ano no meu "radinho". Os arranjos dançantes que abusam dos naipes de metal dão o tom à merecida homenagem ao controverso artista. Se revezam no palco, além dos filhos do cantor, Seu Jorge, Péricles e Thiaguinho, Maria Rita, Frejat, Diogo Nogueira, Martinália, Caetano Veloso, Fernanda Abreu, Lulu Santos e Marcelo D2, entre outros. “Champignon com caviar” à moda brasileira!

    Mallu Magalhães – Há um ano atrás não cogitaria colocar Mallu Magalhães em nenhuma lista de melhores músicas  que eu fizesse. Mas aí veio o álbum Pitanga, lançado no final de 2011, uma mostra do amadurecimento da cantora. Costumava dizer que a música de Mallu era “chatinha”. A influência do marido, Marcelo Camelo, que produziu o álbum, deve ter sido decisiva para este salto de qualidade na música da cantora. Ficou mais brasileiro, mais melódico, com influências de samba, bossa, porém não descaracterizou as referências de Mallu Magalhães, do folk e do country americanos.

    Maglore – Também de Salvador vem o exemplar ‘rock’ da minha lista. Conheci só agora o álbum “Veroz” lançado em 2011 pela banda de pegada BritRock e referências de MPB. Chegou aos meus ouvidos pelo poderoso “boca-boca” da internet e ficou entre as minhas preferências. Destaque para as canções “À vezes um clichê”, “Despedida”, “Enquanto sós” e “Pai mundo” (esta, uma mistura de rock e samba-marchinha ao bom estilo Los Hermanos).
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  5. Quatro jornais brasileiros se inspiraram nos traços de Oscar Niemeyer para marcar a homenagem que fizeram no dia seguinte ao de sua morte. Todas tiveram em comum a arte inspirada na "folha de papel branca" com as curvas e linhas retas marcantes do arquiteto.

    Niemeyer Correio Braziliense


    Niemeyer Estado de Minas


    Niemeyer Extra


    Niemeyer O Dia

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  6. A cena que escolhi dessa vez faz parte do filme 500 dias com ela: a história de um cara inseguro e apaixonado, que encontra uma namorada filha da puta. Ela ilude esse cara, dando esperanças falsas, que ele, mais idiota impossível, acolhe como se fossem verdade. É uma temática muito adolescente, verdade, mas contada de forma inteligente, em um roteiro divertido e dinâmico. Quem foi o cara que nunca passou por essas e outras na vida? E agora olha pra trás e ri da situação ("Como eu pude ser tão mané?"). No trecho, embalado por música da Regina Spektor, duas situações: a expectativa do cara que foi convidado para o aniversário da agora ex-namorada e é recebido com beijos, bebidas e papo animado vs. a realidade de ver que a fila já tinha andado e a ex, insensível, achou que o cara ia ser o "amiguinho" a comemorar o novo namorado. No início das cenas, há uma metáfora inteligente sobre a qual depois vai se desenrolar todo o trecho: no quadro que equivale à expectativa, o moço aparece descendo às escadas para a casa da moça; no quadro "realidade" ele precisa subir esta escada.Vale dar uma olhada no filme.

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  7. Um monumento é apenas um monumento?

    Em seu estudo sobre Monumento, política e espaço, Roberto Lobato Corrêa afirma que os monumentos não são apenas objetos estéticos, mas de certa forma, intencionalmente dotados de sentido político. Como “representações materiais de eventos passados” eles carregam simbologias que vão além do concreto e armações metálicas de que são fabricados, e neles estão concentrados sentidos que comunicam interpretações da realidade, sob um ponto de vista temporal.


    Para o município de Volta Redonda (RJ) um monumento específico, o Memorial 9 de Novembro, do arquiteto Oscar Niemeyer, carrega não apenas a memória de uma tragédia, um trauma pelo qual toda a cidade foi obrigada a passar por conta de decisões políticas autoritárias e equivocadas, mas sobretudo a representação simbólica de um momento marcante e decisivo para o Brasil.

    A história deste Memorial começa, na verdade, meses antes de sua construção. No dia 7 de novembro de 1988, os metalúrgicos da CSN iniciaram uma greve e ocuparam a Usina Presidente Vargas (UPV). Comandados pelo líder sindical Juarez Antunes, que inflamava os trabalhadores em assembleias às vezes sem microfone com discursos propagados por outros como em um processo de “ondas”, o ato tinha como principais reivindicações a readmissão dos trabalhadores demitidos por perseguição política, a redução de oito para seis horas da jornada de trabalho para as atividades ininterruptas e ainda um reajuste salarial.

    Mesmo com o fim da Ditadura Militar no início dos anos 1980, o Exército, sob o comando do general José Luiz Lopes, foi autorizado pelo então presidente José Sarney a invadir a usina. Era o sinal mais evidente de resquícios do autoritarismo no governo e, certamente, prova de que a influência militar nas decisões do país não havia cessado (como sabemos, o fim da Ditadura foi fruto de um acordo entre os ‘cabeças’ da política nacional mais do que de pressões sociais como as Diretas Já, entre outros movimentos).

    Com a autorização do presidente, no dia 09 de Novembro, soldados do Exército de Valença e Petrópolis e do Batalhão de Choque da Polícia Militar dispersaram uma manifestação pública pacífica que acontecia em frente ao então Escritório Central da CSN, transformando o centro da Vila Santa Cecília em verdadeiro campo de batalha. Além dos metalúrgicos, estavam naquela manifestação, mulheres e crianças, donas de casas, professores, padres e representantes de movimentos da Igreja Católica, que em Volta Redonda sempre apoiaram o movimento dos operários. A comoção em torno da causa sempre foi generalizada.


    Os militares invadiram a fábrica, atirando nos operários. O saldo da operação foi a morte de William Fernandes Leite de 22 anos, Valmir Freitas Monteiro de 27, Carlos Augusto Barroso de 19 anos, além de 46 feridos (segundo dados oficiais). Segundo relatos, Valmir foi atingido por um tiro na nuca e gritou: "Está doendo, acho que me acertaram". Barroso, além dos tiros recebidos, teve o crânio esmagado por coronhadas de fuzil. William estava voltando do refeitório na hora que os soldados começaram a atirar. Foi surpreendido e, mesmo atingido pelos tiros, ainda andou cerca de 30 metros. Quando caiu, seus companheiros viram que já estava morto e carregaram o corpo para junto dos soldados, pedindo atendimento.

    O enterro dos jovens e a missa de sétimo dia levaram milhares às ruas da cidade nos dias seguintes às mortes. Mesmo depois do assassinato dos três operários, a greve continuou até a conquista das reivindicações e a retirada do Exército do município, o que aconteceu em 24 de novembro. Cabe aqui o relato de Sandra Veiga e Isaque Fonseca retirado do livro Volta Redonda – Entre o aço e as armas.

    “A greve prosseguiu até o dia 23 de novembro, quando realizou-se, em frente ao escritório central da CSN, uma dramática Assembléia. Luiz Albano abre os trabalhos chamando, um a um, os operários mortos no confronto com o Exército, ao que a Assembléia responde: ‘Presente!’ Luizinho, primeiro orador inscrito, exalta a bravura dos operários e conclama ao fim da greve. No mesmo tom, seguem-se Marcelo Felício, Vanderlei Barcellos e, finalmente, Juarez Antunes.”










    No ano seguinte, o 1º de maio de 1989, foi inaugurado o Memorial 9 de Novembro, projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, em homenagem aos três operários assassinados. Algumas horas depois, na madrugada do dia 2, um atentado com bomba derrubou o memorial que ficou tombado para frente, preso apenas pelo ferro da armação. Na ocasião, Niemeyer fez questão de reinaugurar o monumento, mantendo as marcas da violência, apenas erguendo o que foi derrubado, para que os acontecimentos ficassem para sempre na memória.


    Revelações sobre o atentado - Anos mais tarde veio ao conhecimento público o testemunho de Dalton Roberto de Melo Franco, ex-capitão do Primeiro Batalhão de Forças Especiais, sobre a bomba que destruiu o memorial. Ele revelou ao JB ter sido punido e logo expulso do Exército porque tinha se recusado a participar do atentado contra o Memorial Nove de Novembro sem uma ordem por escrito. Dalton tinha feito parte de um grupo de oficiais das Forças Especiais infiltrado na CSN em 1988 para identificar e “isolar rapidamente os líderes” durante a invasão pelo Exército.

    Sobre o ano de 1989, quando ia ser erguido o memorial, o ex-oficial relatou o seguinte: “o Exército achou que aquilo era uma afronta, que se estava querendo criar mártires”. Contou ter recebido uma ordem do então coronel Álvaro de Souza Pinheiro para explodir o monumento, e quando se recusou, a tarefa foi cumprida por outros agentes. “A dinamite foi dada pelos bicheiros do Rio e tirada de pedreiras da Baixada Fluminense. Eles ajudaram a montar um paiol com munição que depois seria usada em várias operações irregulares”, disse.


    Memória local e nacional - A praça onde foi erguido o monumento está também impregnada de simbologia. Localizada entre a entrada principal da CSN e o antigo Escritório Central, sede das decisões administrativas da empresa, o local foi palco de assembleias históricas, como a que contou com a presença do ex-presidente Lula, então líder sindical do ABC paulista. Foi o ponto de partida do cortejo fúnebre do prefeito Juarez Antunes, morto em 1988 (logo após a greve), num controverso suposto acidente de automóvel, cortejo este que levou mais de 100 mil pessoas às ruas, entre outros acontecimentos.


    Hoje é comemorado o 24º aniversário da morte de William, Valmir e Barroso. Com exceção de William – que era filiado ao PT – nenhum deles era ativista. Também eles viraram símbolos de uma época crucial para a história do município e do país. 

    Com informações - Jornais Aqui e A Voz da CidadeThe Internacionalist
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  8. Um samba de ausência

    1 de novembro de 2012

    Eu fiz um samba sem dor
    Pois a minha, apesar de tê-la
    Não é tamanha que mereça, ela
    Um hino sequer de expiação

    Eu fiz um samba sem mulata
    Pois a minha inspiração
    Apesar das curvas violão
    É branca, de cabelos negros
    E meio desengonçado é o seu requebrado

    Eu fiz um samba sem favela
    Pois apesar da consternação
    Pelos que vivem lá
    E da admiração por suas lutas
    Meus pés sempre estiveram fincados no chão
    Mais próximos do nível do mar

    Eu fiz um samba sem ziriguidum
    Balacobaco, laiaraiá
    Telecoteco, lerêlerê
    Pois apesar de ter aprendido
    Da professora a onomatopeia
    Na escola do sambista não fiz estreia

    Se podem ser chamados de samba
    Esses meus versos de ausência, caro sambista
    Não sei, nem faço questão
    Posso, apesar disso, dizer:
    Fiz um samba com muito respeito e admiração
    A arte que é fazer samba





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  9. Em novo post para o Blog Oi Preguiça, falo sobre algumas das experiências que tive ao conhecer Paris. Confere lá (clicando na foto):


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  10. Visão cotidiana

    22 de outubro de 2012


    Rio maravilha e suas armadilhas
    De quentes esquinas barulhentas
    Sujas ruas espaçosas
    Estreitos becos
    De escadas, elevadores

    Que elevam dores
    De moças belas
    De pernas dançantes
    Novas, velhas
    Sempre belas

    Elas amores
    de moços fortes, fracos
    sempre belos
    flutuando em seus mares

    De verdes ilhas
    De florestas ameaçadas
    Enfeitadas de flores

    De bares de alegrias bambas
    Rodopiando em tristes sambas
    E batucadas de malandros e mulatas

    De tiros de meninos e meninas
    com máscaras de tiras, traficantes
    em violentas vidas breves

    De vagabundos e seus ócios
    Trabalhadores em seus negócios
    De trilhos que levam
    Às suas trilhas Rio maravilha
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  11. Assim fica fácil tirar belas fotos.



     










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  12. Soneto do teu corpo

    4 de outubro de 2012

    Moska/Leoni

    Juro beijar teu corpo sem descanço
    Como quem sai sem rumo pra viagem
    Vou te cruzar sem mapa nem bagagem
    Quero inventar a estrada enquanto avanço
    Beijo teus pés
    Me perco entre teus dedos
    Luzes ao norte
    Pernas são estradas
    Onde meus lábios correm a madrugada
    Pra de manhã chegar aos teus segredos
    Como em teus bosques
    Bebo nos teus rios
    Entre teus montes
    Vales escondidos
    Faço fogueira
    Choro, canto e danço
    Línguas de Lua
    Varrem tua nuca
    Línguas de Sol
    Percorrem tuas ruas
    Eu juro beijar teu corpo sem descanço
    Eu juro

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  13. Alguns artistas da música conseguiram a façanha de se tornar eternos, ultrapassando barreiras como o tempo e até mesmo a morte. A ida à carinhosa exposição Viva Elis, em passagem pelo Centro Cultural Banco do Brasil, no centro do Rio de Janeiro, no último domingo, me atestou aquilo que eu já suspeitava. A obra de Elis Regina tem essa estranha força de encantar mesmo gerações de pessoas que nunca a viram num palco, que não estavam lá nos lançamentos de seus discos e especiais de TV.


    Ver crianças de 9, 10 anos balançando as cabeças ao colocar um fone de ouvido e escutar músicas e entrevistas de Elis, assim como nossos pais anos atrás, imersas e atentas, é realmente curioso. Representantes desta nova geração acostumada a ouvir cantoras, brasileiras ou não, com impostações de voz à moda “american diva” e suas batidas extremamente eletrônicas, estavam ali se deliciando ao som de originais interpretações viscerais e emocionadas da Pimentinha (um dos apelidos de Elis).

    E eu também, que nasci um ano e meio depois de sua súbita morte, estava ali envolvido com projeções em telões de alta resolução, sons remasterizados e gravações originais de uma época que não vivi, mas que me remetiam a um sentimento incoerente de nostalgia. Mas saudade de algo que não vivi?

    Talvez tenhamos herdado de nossos pais essa estranha mania de gostar de Elis. Talvez o culto à sua obra foi, sim, transmitido a nós por pessoas que estavam lá, sobretudo pela mídia que, neste caso, soube de alguma forma valorizar e perpetuar o talento dessa grande artista. Talvez a marcante presença de uma “herdeira” do talento de Elis, sua filha e também cantora Maria Rita, tenha despertado o interesse das novas gerações por sua obra. 

    Talvez estas sejam respostas possíveis à minha indagação, porém nenhuma delas é completa. Basta um olhar sobre o cenário musical pra constatar, por exemplo, tantos talentosos filhos de notáveis artistas da música brasileira que tentam levar a obra dos pais às novas gerações e não têm êxito. Basta reconhecer artistas que, apesar de toda mídia em torno de suas memórias musicais, não ultrapassam a barreira da simples memória. Basta olhar a prateleira de vinis de nossos pais e avós pra ver que tanta gente que eles gostam não passam de “música velha” pra nós, os filhos e netos.

    A obra de Elis, porém, é extremamente viva, como o proposital nome do projeto que está levando exposições e shows sobre a artista para os cinco cantos do Brasil. Suas interpretações cheias de teatralidade e, ao mesmo tempo, verdade conseguem falar a todos, pois tocam em temas universais e permanentes. A qualidade musical dos parceiros que escolheu, de músicos e seus arranjos a compositores e suas poesias, agrada aos ouvidos, sem distinção.


    A melhor definição para a comoção causada por Elis Regina e sua música saiu de forma simples da boca da minha boa companhia à exposição, minha noiva. Disse, quando saíamos da última sala que visitamos – onde tivemos acesso à uma playlist interativa da qual podíamos ouvir as gravações de qualquer disco da cantora e ainda ler informações de encartes e matérias jornalísticas:

    - Se desse a gente não saía mais daqui, né? - Elis não saiu...


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  14. Eles já chegaram por aqui

    12 de setembro de 2012

    Imagina nas Olimpíadas...


     


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  15. XIII*

    28 de agosto de 2012


    Renova-te.
    Renasce em ti mesmo.
    Multiplica os teus olhos, para verem mais.
    Multiplica os teus braços para semeares tudo.
    Destrói os olhos que tiverem visto.
    Cria outros, para as visões novas.
    Destrói os braços que tiverem semeado, 
    Para se esquecerem de colher.
    Sê sempre o mesmo.
    Sempre outro.
    Mas sempre alto.
    Sempre longe.
    E dentro de tudo.

    Cecília Meireles

    *Poesia publicada no livro póstumo da escritora, de 1982, com trechos de textos não finalizados, alguns sem títulos, como este aí que recebeu uma numeração aleatória. Fico imaginando se ela os tivesse finalizado. A foto é deste blogueiro e foi tirada no ano de 2006, em Roma (Itália).
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  16. Confesso que sair sozinho no estilo "Independentes Futebol Clube", como diria uma amiga, nunca foi a minha praia. Mas a proposta que me fez um blog na internet era tão tentadora que arrisquei (e no fim das contas acabei na boa companhia de amigos). Acontecia o Borboun Street Fest, no Parque Garota de Ipanema, no Arpoador, Rio de Janeiro, na noite da última segunda-feira, dia 13/08.

    O festival que traz músicos de Nova Orleans (New Orleans) para tocar em terras brasileiras era a boa pedida para quebrar a rotina sono-televisão-cama de todas as segundas-feiras.

    Havia convidado amigos, mas um furou, o outro desanimou, este estava trabalhando, aquele eu não tinha certeza se ia... E assim minhas companhias foram ficando pra trás no caminho do metrô até o local da apresentação. Pensei em desistir, afinal de contas, “nunca foi a minha praia”: prefiro a combinação boa música + boa companhia.

    Ao chegar ao destino, porém, o soul contagiante de Tony Hall e sua banda me fez querer ficar. A estrutura de som do local fazia as músicas soarem perfeitamente aos meus ouvidos leigos. Dava pra distinguir sons de baixo e cada um dos diferentes naipes de metais (sax, trompete,...).

    Não era novidade para Tony Hall, que havia tocada aqui anos antes, mas a energia boa do público chamou sua atenção. O músico que já tocou com Bob Dylan e Stevie Wonder, só pra citar alguns, soube ser simpático: “Acho que vou me mudar pra cá”, disse. E soube empolgar o público presente com seus grooves dançantes de músicas como All Night Long, Smooth (Santana) entre outras.

    O pai com a criança sobre os ombros, o casal de cinquentões, todos balançando o corpo num clima de baile funk (o baile funk original!) me fez esquecer que não estava acompanhado e até arriscar uns passos tímidos. Quem me conhece sabe que meu embaraço dos primeiros contatos não me permite a desenvoltura de puxar assunto com estranhos.

    Com o fim deste show acabara também meus momentos de “solidão na multidão”. Aquele amigo que eu não tinha certeza se ia resolveu aparecer e me acompanhar na cervejinha de segunda-feira. Depois foram chegando os amigos do amigo.

    Queríamos ouvir a atração principal da noite: a banda globalizada Playing for Change formada por artistas de diversas partes do mundo. O grupo que “Toca por uns Trocados” (livre tradução para o nome da banda) era a metáfora para o estilo New Orleans, onde é tradição bandas tocarem nas ruas por gorjetas.


    A mistura de percussão, gaita, instrumentos de corda e piano dá o tom ao repertório da banda – surgida a partir de um documentário com artistas de rua do mundo todo, rodado em 2004. As vozes de soul contemporâneo dos músicos mais jovens, Titi Tsira (voz feminina) e Clarence Bekker (voz masculina), contrastam com o timbre blues antigo do veterano Grandpa Elliot, músico portador de deficiência visual.

    Quem esteve lá sabe dos momentos de catarse coletiva em músicas como Three Little Birds (Bob Marley), e Stand By Me (ou “Fica comigo” na versão abrasileirada do Playnig for Change para o clássico de Bem E. King imortalizado na versão de John Lennon). No fim das contas, valeu muito a pena sair da zona de conforto. Recomendo.

    Em tempo: O Bourbon Fest continua até dia 19 de agosto em cidades brasileiras. É só entrar no site pra conferir.
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  17. “A função da imprensa é ser o cão de guarda público, o denunciador incansável dos dirigentes, o olho onipresente do espírito do povo que guarda com ciúme sua liberdade.”

    “Para combater a liberdade de imprensa é preciso defender a imaturidade permanente da espécie humana.”

    “Uma imprensa censurada é ruim mesmo se produzir bons produtos. Uma imprensa livre é boa mesmo quando produz frutos ruins.”

    “A imprensa em geral é a consumação da liberdade humana.”
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  18. Não é de hoje nem de ontem, que o Rio de Janeiro é um dos expoentes culturais palco de convergência das mais diversas referências musicais brasileiras. E foi esta pluralidade que permitiu que dois promissores músicos da MPB, de diferentes lugares do país, fizessem juntos o pré-lançamento de seus respectivos CDs. No show “Da Bahia a Minas”, que marcou as noites de terça-feira durante o mês de Julho, no bar Semente, na Lapa, Emerson Leal, o baiano, e César Lacerda, o mineiro, apresentaram ao público suas composições.

    Em um primeiro momento a mistura de tão diferentes referências pode soar improvável, como pão de queijo e acarajé. Mas no palco a distância geográfica se dilui e a originalidade musical de ambos faz do show um momento de celebração da MPB.

    Emerson Leal vira “músico da banda” de Cesar Lacerda e vice-versa. As canções, composições próprias de ambos que serão lançadas em álbuns distintos até o final do ano, são apresentadas aos ouvidos curiosos e atentos da plateia presente no espaço localizado aos pés dos arcos, no bairro boêmio carioca.

    A primeira parte do show fica por conta de César Lacerda, mineiro de Diamantina, que já participou de projetos como o “Por um passadomusicável” e “Coletivo Abgail”, de repercussões relativas na internet e nos palcos da cena alternativa Brasil afora.

    As canções autorais de César, algumas delas já disponíveis em EP no Musicoteca, ganham roupagem acústica bem diferente dos arranjos conhecidos. A originalidade das experimentações sonoras presentes no EP em canções como “Herói” e “Namorin”, dá lugar à crueza da “voz e violão” (com um pouquinho de percussão em alguns momentos) e o tom intimista das composições prevalece. O mineiro até se arrisca em compartilhar: “essa (música) foi feita em homenagem a uma prostituta portuguesa que conheci em Lisboa”.

    Esquentando a segunda parte da noite, Emerson Leal chega com sua música de referências diversas e tons coloridos. Seu repertório que remete a vários estilos musicais é recheado de boas composições assimiláveis em termos de conteúdo – letras que contam situações com as quais qualquer um se identificaria –, mas que fogem a obviedades na forma. A sonoridade das palavras ganha peso em suas composições que, por isso, se arriscam em neologismos de expressões como “me love-me”. O efeito surpresa é outro recurso poético presente em canções como a divertida “Blues da Vampira”.

    Soteropolitano radicado no Rio de Janeiro, Emerson tem a musicalidade na sua formação.  Músico intuitivo, montou show próprio intitulado “Arte final”, apresentado em teatros na capital Baiana, no início dos anos 2000. A participação na extinta banda de blues tupiniquim Oda Mae Brown possibilitou ao compositor explorar um tom descontraído, ecoado hoje em algumas de suas atuais poesias musicadas.

    Sua participação como músico em shows e gravações de diversos artistas da cena da MPB rendeu parcerias com nomes como Tom Zé e Luiz Tatit. Parcerias estas que, promete, “estarão registradas no CD de estréia”, antes de emendar a bonita composição em conjunto com Tatit “Das dores e das flores”.



    Os duetos de César e Emerson no final do show para levar, além de canções autorais, músicas de Caetano Veloso e Chico Buarque (só para citar dois deles) apresenta uma amostra do vasto universo de referências que influenciaram musicalmente seus repertórios. A participação da cantora e compositora também estreante Luiza Brina foi um regalo a mais para quem já estava satisfeito por ter ouvido amostras de MPB de qualidade ao longo da noite.
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  19. Solicitação

    Aos cuidados do meu amor

    Diante da necessidade de ser feliz ao seu lado, venho por meio desta solicitar seu amor sincero e leal. Em contrapartida, com o objetivo de formarmos uma parceria duradoura e consistente de afeto e respeito, ofereço o meu igualmente devoto e verdadeiro.

    Em face à expectativa de compartilhar bons momentos juntos, reforço a pertinência, em todos os momentos possíveis, da sua presença e, na impossibilidade desta, a lembrança da sua afeição por meio de telefonemas carinhosos, mensagens enamoradas e bilhetes apaixonados.

    Considerando a possibilidade de situações de risco para o adequado entendimento entre as partes, defino o uso da gentileza como forma de dirimir os desequilíbrios prováveis, uma vez que já é de nosso conhecimento que gentileza gera gentileza.

    Com a finalidade de aprimorar os laços de amor entre nós dois, peço encarecidamente a prática constante do cafuné, dos beijos no pescoço, do abraço apertado, do olhar nos olhos, das conversas sinceras, da intimidade, do respeito à individualidade um do outro, da presença alegre dos amigos e da diversão, às vezes regada por uma taça de vinho ou alguns copos de cerveja e música boa.

    Agradeço desde já pela compreensão, amizade, cumplicidade, paciência, o sorriso sincero e apoio nas horas difíceis.

    Atenciosamente,

    Seu amor.
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  20. Sentido bíblico

    15 de julho de 2012


    E aí eu pedi a Deus, aquele velho senhor, meio sistemático, ligado no significado literal das palavras:

    - Me dá alguma inspiração?!

    - Como assim se pra respirar você precisa de bem mais do que isso?

    - É... Mais ou menos isso. Eu preciso daquela inspiração que oxigena a alma. E consequentemente faz expirar coisas boas pro mundo.
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  21. pessoas e flores (Natal - RN)

    2 de julho de 2012

    pessoas

    pessoa e flores

     flores


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  22. No blog amigo

    29 de junho de 2012

    Mais um texto "Sempre na estrada", no blog amigo http://oipreguica.com/berlim/.
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  23. Sustentabilidade – Duas visões

    20 de junho de 2012


    Na esteira das discussões sobre Sustentabilidade provocadas pela Rio + 20, a visão de dois pensadores sobre o tema chama a atenção para questões relevantes acerca das mudanças de paradigmas que a humanidade precisará enfrentar se quiser legar um mundo melhor para as próximas gerações.

    De um lado o teólogo e filósofo brasileiro Leonardo Boff e de outro o administrador americano Mark Kramer. Duas visões que divergem ideologicamente, mas que trazem contribuições importantes para o debate, e chamam à responsabilidade com que as transformações precisarão ocorrer para que a terra não entre no anunciado colapso.

    O marxista Boff defende que a humanidade está passando por um período de crise, com todos os latentes problemas de ordem social, econômica e ambiental. “Toda crise, pode ser uma oportunidade de aprendizado para uma transformação de valores e comportamentos muito maior”, diz.

    Ao conceito de sustentabilidade, cunhado no Relatório de Brundtland (1987) como o “uso dos recursos naturais que deve suprir as necessidades da geração presente sem afetar a possibilidade das gerações futuras de suprir as suas”, Boff acrescenta a ideia de comunidade de vida. Para ele o homem é parte integrante de uma cadeia, da qual faz parte todo ser vivo e os elementos naturais. Portanto, o uso sustentável dos recursos naturais deve prover as necessidades de toda essa cadeia, que ele chama de comunidade de vida (e não apenas as necessidades humanas).

    O filósofo aponta que a forma com a qual o homem pode garantir a sustentabilidade passa pelo respeito aos limites da biodiversidade. Ele defende, portanto, uma exploração dos recursos respeitando a capacidade de reposição do próprio planeta. Por exemplo, o respeito ao curso natural de rios para pesca e abastecimento de água.

    Defende ainda o crescimento sustentável dos países em que os problemas sociais como a miséria e a fome estão presentes. E uma desaceleração no ímpeto de crescimento econômico dos países em que as condições de vida humana já são dignas. Por isso, o professor rejeita a ideia de que a inovação (necessária para a produção de bens sustentáveis) é dependente do estímulo à competição empresarial - para o teólogo, a necessidade por inovação deveria ser estimulada através do empreendedorismo. “Esta lógica do desenvolvimento, do lucro em cima de lucro, é insustentável”, enfatiza.

    Entre outras propostas, Boff destaca que a humanidade precisa repensar o consumo. Ele não vê outra saída, que não a redução dos níveis de consumo da parcela de 20% da população mundial que consome atualmente 80% de tudo o que é produzido (fonte: Ministério do Meio Ambiente). “O homem, sem a Terra, não sobrevive. Por outro lado, a Terra sem o homem continuará”, cita.

    Outro lado

    Contrapondo esta visão, que relaciona problemas sociais, ambientais e econômicos à voracidade da atividade empresarial, Mark Kramer, consultor americano da FSG, sugere a criação de valor compartilhado (teoria elaborada em conjunto com Michael Porter). Ou seja, envolver a geração de valor econômico de forma a criar também valor para a sociedade (com o enfrentamento de suas necessidades e desafios). “Valor compartilhado não é responsabilidade social, filantropia ou mesmo sustentabilidade, mas uma nova forma de obter sucesso econômico”, defende. (Clique e leia o artigo)

    O capitalista Kramer aponta que as questões sociais e ambientais devem integrar as principais estratégias de uma empresa, uma vez que seria incoerente a atual dinâmica empresarial de impactar negativamente os recursos naturais (matérias primas) e humanos (mercado consumidor) tão necessários à sua perpetuação no mercado.

    Segundo Kramer, para criar valor compartilhado a empresa deve ter em mente qual é o objetivo do seu negócio. Ele cita o exemplo de uma multinacional do mercado farmacêutico que, na Índia se deparou com um desafio: os consumidores potenciais viviam em zonas rurais (apenas 30% da população indiana residia na área urbana) e não consumiam medicamentos, pois não tinham acesso à saúde. Esta empresa investiu em um programa de construção de hospitais e capacitação de profissionais de saúde nestas regiões. Desta forma, “criou” seu mercado consumidor levando, ao mesmo tempo, desenvolvimento social.

    Ele defende o surgimento de um novo modelo de capitalismo em que a criação de valor compartilhado seja o objetivo principal das empresas. “O conceito de valor compartilhado reconhece que as necessidades da sociedade, e não só necessidades econômicas convencionais, definem o mercado”, suscita.

    Apesar da proposição de mudança considerável na finalidade da atividade empresarial (até então focada no atingimento de lucros e distribuição de dividendos), a teoria defendida por Kramer se mostra insuficiente ao não distinguir as grandes multinacionais das pequenas e médias empresas. Para estas, o custo elevado das transformações necessárias para atender à nova dinâmica do valor compartilhado poderia ser um entrave ao desenvolvimento.

    E quanto à questão apontada por Boff em relação à necessidade urgente de redução de consumo, a divergência é evidente. “Não defendo a redução nos níveis de consumo. Muito pelo contrário, defendo o consumo maior, com utilização menor de recursos naturais”, pondera o consultor americano, ressaltando o papel fundamental das inovações tecnológicas para tanto.

    Como percebemos, são visões antagônicas sobre um mesmo tema. Visões estas que contribuem com soluções práticas para a questão. E que, apesar das divergências, concordam em um ponto crucial: é urgente a necessidade de busca por uma solução para os problemas relacionados à sustentabilidade.

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  24. Urbanas - Álbum de Natal

    14 de junho de 2012

    Emaranhado de estruturas de aço em um aeroporto

    Detalhe de placa em aeroporto

    Pátio de um palacete em João Pessoa-PB

    Mausoléu do político João Pessoa em João Pessoa-PB

    Cores vivas no centro histórico de João Pessoa-PB






    "Info" em duas versões

    Visão da Ponte Newton Navarro (Natal-RN) de dentro do bugre



    O teto de um restaurante (Natal-RN)

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