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  1. Questões políticas de 2011

    28 de dezembro de 2011

    Texto esclarecedor publicado no blog: Papo de Homem. Tão interessante quanto o texto foi o debate gerado nos comentários de internautas no site. Vale a pena conferir!

    Por Juliana Fratini
    em 27/12/2011

    Viver em sociedade significa existir, simultaneamente, em esfera pública e privada, além de ter direitos e deveres para com estas categorias. Fazer uso aleatório, sem qualquer regulamentação, destas esferas (ou do que faz parte delas) causa danos a diversos arranjos que asseguram o bom funcionamento da vida individual e coletiva, além de danos à confiança nas instituições que existem para regulá-las.

    A apropriação do que é público para fins privados foi, no entanto, um dos principais temas políticos e sociais do ano. Por um lado, por causa dos escândalos protagonizados por homens públicos e, por outro, por causa das inúmeras manifestações sociais contra práticas consideradas corruptas ou amorais – isto é: nem tudo que é amoral pode ser considerado corrupto ou ilegal, segundo a lei.

    Desta vez, vamos mudar o foco: desviemos o olhar de indignação dos chamados malfeitos do primeiro mandato do governo Dilma e dos sujeitos que protagonizaram os escândalos – os ministros –, para a arquitetura dos sistemas político e econômico e o comportamento social a fim de ampliar o entendimento de como é que estas coisas, de um modo geral, operaram. As considerações são ensaísticas e longe de serem exaustivas ou totalizantes.

    Separando o joio do trigo: a arquitetura dos sistemas

    Sobre a arquitetura dos sistemas, consideremos, em primeiro lugar, que a política possui três dimensões interdependentes:

    - a polity (regras do jogo político),
    - a politics (a competição política; o próprio jogo), e
    - a policy (políticas públicas; o resultado do jogo).

    Portanto, boa parte do que se pensa sobre política precisa passar por este filtro classificatório. Atores políticos se comportam de maneira bastante diferente quando enquadrados em cada uma destas dimensões e, muitas vezes pela falta de esclarecimento a respeito da parte que não opera corretamente, corre-se o risco de se fazer avaliações equivocadas sobre os fatos.

    Vamos utilizar o caso do primeiro ministro a cair, Antonio Palocci (Casa Civil, em junho), e o último “na linha de tiro”, Fernando Pimentel (Desenvolvimento, em dezembro). Os dois políticos foram criticados por exercerem, supostamente de maneira irregular, a atividade de consultor. “Irregular” aqui quer dizer que teriam realizado tráfico de influência, além do fato de não terem exibido os contratos feitos com as empresas para as quais prestaram serviço. Ora, a lei é clara: eles não poderiam realizar este tipo de trabalho apenas se estivessem exercendo função pública durante a execução do serviço – se estivessem, o caso seria de improbidade administrativa. Por não estarem exercendo cargo público, não há nada que configure o trabalho de consultor como crime, mesmo que estes homens tenham atuado politicamente antes ou depois da realização das consultorias.

    O conhecimento, prestígio e networking que estes homens acumularam durante o exercício de atividades públicas contribuem com a realização de atividades privadas. O mesmo ocorre com profissionais de outras áreas de atuação. Qualquer profissional pode utilizar o prestígio adquirido no exercício de uma função para realizar outra de interesse particular. O mercado captura prestígio e não faz distinção de categoria profissional. Segundo as regras de mercado, isto não se configura tráfico de influência. Deste modo, se os ministros não estavam exercendo função pública no momento da realização das consultorias, logo, o caso deve ser averiguado segundo a ótica do mercado, e não da ótica política. Quando a ótica é política, o assunto passa a operar no campo da politics (da competição), com adversários fazendo uso de recursos diversos, de maneira estratégica, para derrubar quem detém o poder – a estratégia é legítima, mas o argumento incorreto.

    A pergunta que não quer calar, afinal, é a seguinte: se um empresário/consultor dotado de muito prestígio pode se tornar político, por que um (ex-) político, quando do não exercício de função pública, não pode se tornar um empresário/consultor?

    Nesta linha, o problema não é, especificamente, a atuação de (ex-) políticos enquanto empresários/consultores, mas sim um problema de normatização – de regra. Se não é possível que (ex-) políticos realizem atividades empresariais/consultoria, então torna-se necessário regulamentar as atividades que estes (ex-) homens públicos podem e de que maneira devem realizar. Do contrário, casos como o de Palocci e Pimentel tendem a acontecer novamente. Mudar os políticos, contudo, parece mais fácil e conveniente do que mudar a regra (do ponto de vista político), uma vez que isto implicaria na diminuição dos direitos civis de (ex-) homens públicos.

    Tampouco existem regras de mercado que obriguem a declaração pública de conteúdo produzido por consultorias. No entanto, há lei que obrigue a declaração de recursos obtidos por meio da execução de qualquer trabalho, mais especificamente a respeito do montante e o meio – o que também vale para qualquer profissional. E isto é impossível saber quando não há contratação de serviços pelas vias legais, ou em outras palavras, quando o trabalho é realizado de maneira informal.

    Na prática, quando contratados e contratantes não informam pelas vias legais as transações realizadas, se colocam a margem da lei. E (ex-) políticos consultores envolvidos em transações privadas a margem da lei, que envolvam muito dinheiro, por meio do uso do prestígio que acumularam no exercício de cargos públicos, não podem esperar outra coisa da imprensa, da oposição, da opinião pública, além de profunda retaliação.

    Seguindo esta linha de raciocínio, uma maneira de ver a questão é a seguinte: Palocci e Pimentel se complicaram não porque fizeram o uso de bens públicos para fins privados (neste sentido não foram corruptos), não porque praticaram (sobre as consultorias) tráfico de influência; se complicaram porque se colocaram acima da lei quando na defesa de interesses privados. Atuaram na ilegalidade e não fizeram o que qualquer outro profissional deveria ter feito: informar as transações realizadas. A conduta demonstra um sinal de desrespeito à polity, isto é, às regras do jogo, em relação aos direitos fundamentais operacionais, e também porque é dever dos governantes prestar contas à população.

    Quanto aos demais ministros que deixaram seus postos, Alfredo Nascimento (Transportes), Wagner Rossi (Agricultura), Pedro Novais (Turismo), Orlando Silva (Esportes) e Carlos Lupi (Trabalho), estiveram envolvidos em confusões relacionadas à suposta apropriação de recursos públicos para fins privados ou para favorecimento partidário – fatos estritamente relacionados a práticas de corrupção – também ferindo as regras do jogo e, de certo modo, a competição. Nelson Jobim (Defesa), por sua vez, saiu após críticas feitas às ministras Ideli Salvatti e Gleisi Hoffmann.

    Ninguém está acima da lei: a questão da confiança

    No Estado Democrático de Direito, nenhum indivíduo pode estar acima da lei. No entanto, já dizia Marshall que, embora os homens sejam iguais em status – direitos e deveres –, jamais serão em poder. Este poder a que ele se refere é o propiciado pelo mérito, a ascensão social por meio do trabalho num contexto de livre mercado.

    Mas uma coisa é a arregimentação de poder por meio de vias legais, outra é a arregimentação de poder por meio de conduta e práticas espúrias, o que acende discussões normativas e a respeito da manutenção de princípios éticos na política. Num contexto em que existe um relaxamento da responsabilização e das punições para aqueles que cometem infrações contra a ordem pública, seja no aspecto normativo ou moral, a política e suas instituições acabam por ficar desmoralizadas e desacreditadas.

    Exemplos de fatos ocorridos durante o ano que contribuíram negativamente com o descrédito das instituições foram:

    - a desmoralização, pelo próprio governo, da Comissão de Ética Pública, que sugeriu a saída de Carlos Lupi do Ministério do Trabalho, mas não foi considerada;
    - a não cassação, pelo Parlamento, do mandato de Jaqueline Roriz, que recebeu dinheiro de Durval Barbosa. Jaqueline pediu a rejeição do parecer do Conselho de Ética sob o argumento que não exercia nenhum mandato quando o fato foi consumado; e
    - a não validação do Ficha Limpa.

    Afirmar que a sociedade não se esforça para “não demonizar a política” seria um erro, posto que os cidadãos procuram, ao menos, aceitá-la como é – considerando as imperfeições das instituições e a realidade da arquitetura do sistema político, também uma arena em que vale “quase tudo” para se manter no poder ou difamar, sem um argumento verdadeiramente producente, aqueles que estão no poder.

    O que a sociedade não aceita é ausência de responsabilização daqueles que ferem princípios democráticos e republicados, permanecendo sem qualquer punição. Os mais politizados se perguntam ainda, entre outras coisas, por que a “faxina ética” precisa ser realizada pela imprensa e por que a atuação do governo é reativa e não ostensiva contra o próprio mal que lhe corrói. A impressão que se tem é que os comandantes dos altos postos administrativos deste país alienaram seu compromisso com a transparência e com as punições.

    Afora as considerações acima, pesquisas realizadas pelo cientista políticos José Alvaro Moisés (USP) apontam que o grau de confiança em pessoas do núcleo privado é muito maior do que em relações interpessoais do núcleo público, bem como em diversas instituições representativas do regime democrático. Apesar de os dados corresponderem ao ano de 2006, são válidos para a reflexão da conjuntura porque apontam para uma tendência do comportamento social.

    Neste ano, em resposta à conduta dos homens públicos e o funcionamento das instituições públicas, foram realizados inúmeros protestos que levantaram a bandeira contra a corrupção e a impunidade, e que reclamaram um melhor funcionamento ou a extinção de determinadas instituições. Os grupos – muito deles organizados na internet –, supostamente sem qualquer vinculação partidária, reuniram-se em diversas regiões, ora com um grande número de participantes, ora com baixíssimo número.

    Apesar das boas iniciativas, as manifestações ocorreram mais de maneira espasmódica. Em um novo modelo de organização, carente de lideranças bem definidas, os grupos apareceram um tanto dispersos, muitos deles sem uma plataforma de atuação ou projeto mais bem estruturado. Em suma, apareceram com uma força muito menor do que aquela que originou a Primavera Árabe – a mobilização social iniciada na internet que desencadeou uma série de reformas políticas em países do Oriente Médio e da África.

    Que venha 2012.
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  2. Um filme com ótimos diálogos

    16 de dezembro de 2011

    Assisti recentemente ao filme ‘Blue Valentine’, obra realista do diretor Derek Cianfrance sobre relacionamentos, que no Brasil recebeu um título oportunista e sem sentido: ‘Namorados para Sempre’. Com Michelle Williams (Cindy) e Ryan Gosling (Dean), a triste película marcou pelos bons diálogos entre seus personagens. Separei algumas frases, diálogos e o trailler do filme:

    “Os homens esperam a mulher certa chegar e aí então se casam com ela. Mas as mulheres, muitas vezes, desperdiçam a chance de encontrar um príncipe encantado, casando-se com algum cara que tem um bom emprego.” (De um amigo do trabalho do personagem de Gosling, tentando explicar diferenças entre homens e mulheres)

    “Morrer é para idiotas. Não morra.” (Não me lembro ao certo qual dos dois personagens disse a frase, mas ela demonstra esse sentimento de invencibilidade que a maioria das pessoas tem quando são jovens. É a metáfora para o relacionamento de Dean e Cindy que no início vivem um amor “imortal”, que, porém vai definhando aos poucos até acabar)

    “Quanta rejeição eu mereço ter?” (Dean para Cindy, num dos momentos mais tristes do filme)

    “Você já está crescida, então não se divirta.” (Cindy, falando para a filha de 4/5 anos do casal em crise, como quem parece cansada da vida que leva)

    Diálogo entre a personagem de Michele Willians e sua avó, sobre o amor:

    - Como posso confiar em um sentimento se ele pode simplesmente desaparecer? -, pergunta a neta.

    - Acho que você só poderá descobrir, quando tiver este sentimento. -, responde a avó.

    Diálogo entre o casal na noite em que se conheceram.

    Dean faz um elogio a Cindy:

    - As garotas mais bonitas são as mais loucas!

    Ela agradece:

    - Gostei desse seu elogio e ofensa ao mesmo tempo. Deixa tudo igual.

    Na cena do quarto do motel para onde Dean leva Cindy numa tentativa de reatar o casamento desgastado, o melhor diálogo do filme na minha opinião:

    - Por que você não tem interesse em fazer outras coisas, além de pintar paredes e beber uma cerveja às 8 da manhã? -, pergunta a um perplexo Dean.

    - O que você quer dizer em fazer outras coisas? Como o quê? -, responde rispidamente Dean.

    - Como, por exemplo, pintar, dançar, compor, tocar, você tem tanto potencial. Poderia fazer qualquer coisa -, ela diz.

    - Nada me interessa mais do que estar casado com você e ficar com nossa filha -, explica Dean.

    - Não posso mais -, reconhece uma sofrida Cindy para um desesperado Dean: - Me diga o que devo fazer! Faço qualquer coisa, mas quero este casamento e não suporto a idéia de Frankie viver com pais separados -, suplica Dean.


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  3. Apple envenenada

    8 de dezembro de 2011

    foto: Eric Piermont

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  4. Nestas curvas

    5 de dezembro de 2011

    Nestas curvas acentuadas me arrisco

    Piso fundo, sem freio

    Nestas curvas me perco

    Perco o passo, não acho

    Um ato sensato.

    Estas curvas acentuadas desafiam

    Minha vontade de aventura

    Meu ímpeto de loucura.

    Por estas curvas acentuadas, perigo!

    Ameaça-me o doce risco de seguir

    A delícia de correr por estas curvas.

    Velocidade máxima nas curvas,

    Na leveza dos seus traços

    Na beleza dos seus beijos

    Na certeza dos abraços

    Que atenuam meus medos.

    Nestas curvas me acho.
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  5. "Brain Maps"

    22 de novembro de 2011













    Do artista Brian Drucker que vi no ótimo filme It's kind of a funny history.



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  6. Sobre o showmício pelos royalties

    11 de novembro de 2011

    Texto lido por manifestantes do movimento OcupaRio*, ontem na Cinelandia, durante a esquisita manifestação pela não distribuição dos royalties, que teve Furacão 2000, Mc Naldo, Sorriso Maroto e Lulu Santos.

    Sérgio Cabral

    Nós do povo!
    Cansamos de ouvir!
    E queremos falar!

    Injustiça é:
    640 para guarda municipal
    760 para professor
    960 para bombeiro
    17000 para o governador

    Injustiça é milícia!
    Corrupção na polícia!
    Injustiça é o Rio desigual!
    Onde gente morre em fila de hospital!

    Injustiça não é só no petróleo!
    Injustiça está debaixo dos nossos olhos!

    Sérgio Cabral!
    Nós do povo!
    Cansamos de ouvir!
    E queremos falar!

    Ocupar a praça!
    Ocupar o Rio!
    Ocupar o mundo!

    *Saiba mais sobre o OcupaRio.
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  7. A Sociedade do Espetáculo, o álbum

    8 de novembro de 2011

    O espetacular novo álbum d’O Teatro Mágico foi lançado recentemente. O título do álbum é uma citação à famosa obra do filósofo Guy Debord, publicado pela primeira vez em 1967. Debord é marxista e ‘A Sociedade do Espetáculo’, o livro, é uma crítica à sociedade contemporânea, principalmente à comunicação de massa que dita os acontecimentos e transforma cultura em produto de consumo. Para ele, os fatos só passam a existir na ‘sociedade do espetáculo’ se forem veiculados na mídia. Aquilo, ou aqueles, que não estão na mídia não ‘existiriam’.

    O release de lançamento do novo CD da troupe fala que a linha filosófica do álbum é a obra de Guy Debord. Seria pretensão? Por um lado, se formos parar pra pensar a internet, usada pelo Teatro Mágico para divulgar sua obra é outro dos meios de comunicação de massa. Ora, se fosse pra criticar a mídia massificada, porque usá-la como meio de propagação?

    Por outro lado, porém, há quem defenda (este blogueiro, por exemplo) que a internet é um veículo de comunicação diferenciado, que permite ao usuário criar suas próprias formas de receber e descartar as informações. Neste caso quem acessa tem certa liberdade na escolha das fontes de informações e nos conteúdos e não fica a mercê daquilo que é ditado por um grupo de proprietários dos meios de comunicação.

    Principalmente em duas canções de ‘A Sociedade do Espetáculo’, o álbum, vemos a ideologia da espetacularização sendo criticada: “Amanha... Será?” que traz o verso, digamos profético “o post é voz que vos libertará”, tem um ótimo clipe só com imagens da TV Al Jazeera sobre as guerras árabes, intencionalmente utilizadas com o objetivo de mostrar “outra visão” dos acontecimentos naquela parte do mundo.

    Os conflitos mais recentes foram marcantes por mostrarem o poder das redes sociais para a mobilização. E de fato a visão ocidental sobre a situação naquela área está limitada à linha editorial dos informes das grandes agências de notícias americanas e européias.

    A outra canção, também com tom crítico à ‘sociedade do sensacional’, se chama “Esse mundo não vale o mundo” e traz versos como: “A impostura cega, me surda e muda”, “agonizo um povo estatisticamente” e “Somos massas e amostras”.

    No restante do álbum, porém, nada lembra a obra de Debord. Algumas músicas levantam questões sociais importantes como a disputa pelas terras consideradas improdutivas, a necessidade de repartir ou a autonomia feminina. Outras falam de amor, simplesmente. Outras ainda versam, com certa profundidade, sobre questões existencialistas. Duas são novas versões de antigos sucessos da própria banda que não haviam entrado em nenhum CD: um chamego para os fãs.

    Deixo vocês com alguns links interessantes relacionados à esta minha “crítica-comentário”.

    - A versão e-book do livro A Sociedade do Espetáculo, de Guy Debord: http://www.arq.ufsc.br/esteticadaarquitetura/debord_sociedade_do_espetaculo.pdf

    - Uma ótima matéria do portal IG falando sobre as canções faixa a faixa: http://ultimosegundo.ig.com.br/cultura/musica/faixa+a+faixa+exclusivo+do+novo+album+do+teatro+magico/n1597084637920.html

    - O álbum pra baixar disponibilizado pela própria banda gratuitamente na internet: http://tramavirtual.uol.com.br/o_teatro_magico/
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  8. Transição

    4 de novembro de 2011

    Mais incômodo do que passar por uma fase de transição em nossas vidas é nos dar conta de que estamos passando por uma fase de transição. Aquela sensação de que nos falta o chão embaixo dos pés e aquela outra de que existe um buraco no peito, inquietam.

    Na verdade, na verdade, o processo já estava acontecendo fazia tempo, mas como estávamos no meio dele, tomados por ele, ocupados com todas as demandas com as quais este bendito processo nos confronta, não percebíamos.

    E quando cai a ficha parece que fomos atropelados por uma enxurrada daquelas que derrubam o barraco construído na frágil encosta que somos. Ou então, que estamos dentro de uma panela de pressão, a todo vapor, prestes a ebolir.

    Se essas metáforas pudessem traduzir o que sentimos talvez nos sentíssemos mais serenos diante da tempestade; mais ‘sereno’ e menos ‘tempestade’. Pensamos, tentamos achar palavras* pros nossos sentimentos. Mas tudo é pouco, e nada diz realmente aquilo que passamos.

    Estamos sempre mudando, é verdade. Mas vez ou outra essa transição é dolorosa. Pegando carona no texto de uma colega blogueira, crescer dói. E sempre que nos deparamos com a necessidade natural e obrigatória de crescer, sentimos como se fosse uma violenta imposição do universo.

    A frase de Nietzsche serve apenas pra explicar nossa condição. Seria mesmo o homem uma eterna transição?

    “A grandeza do homem consiste em que ele é uma ponte e não um fim; o que nos pode agradar no homem é ele ser transição e queda”.

    E que vontade de resistir e não ir adiante. Frear o processo de queda vertiginosa. Como se pudéssemos escolher...










    *Ouvindo Móveis Coloniais de Acaju - música: 'Sem palavras'

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  9. Esqueça o filtro solar?

    25 de outubro de 2011



    Fica a dica...
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  10. Sobre o papel de quem questiona

    17 de outubro de 2011

    "Questionamentos. Questionar o conhecimento consagrado.

    Dúvidas. Duvidar das certezas aprendidas.

    Indagações. Indagar os porquês das respostas perfeitas.

    Revisão. Rever o que é dado como certo.

    Sentir-se insatisfeito com o nível do conhecimento dominado e, além de tudo isto, reconhecer que o papel de quem questiona não pode encerrar-se no casulo egoísta do prazer de saber, mas deve ir além, contribuindo para que o conhecimento novo seja ingrediente para uma sociedade melhor."

    (Marcelo Milano Falcão Vieira e Cristina Amélia Carvalho na conclusão do artigo Sobre organizações, instituições e poder)
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  11. Passe pra ela

    6 de outubro de 2011

    Passo por ela, reparo bem
    A moça passa e meu apreço,
    finge bem, não perceber

    Dou um passo no caminho pra dela;
    ela na estrada em direção a mim.
    Passamos a andar juntos
    passo a passo, afim

    Um passeio de dois
    e já não passamos sem falar
    Tudo peço, sem apressar
    A moça concede meu passe pra ela

    Somos enfim
    passageiro um do outro
    construindo passado
    Presente, num passe
    Futuro depressa


    *Ouvindo o ótimo "novo" CD do Marcelo Camelo: Toque dela
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  12. Outro dos grandes filósofos contemporâneos que pensam o mundo atualmente. Aos 86 anos, Zigmunt Bauman está mais lúcido que muitos de nós. Vale assistir até o final para descobrir "o segredo da felicidade".

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  13. Oi Preguiça - Visão Masculina

    24 de setembro de 2011

    Segue um texto publicado a convite da amiga Verinha, no blog Oi Preguiça. Sobre temas que não costumo publicar por aqui (não com tanta objetividade), mas que valeu pelo desafio:

    Visão Masculina - O homem que gosta da mulher "parceira"


    Quando recebi o convite pra escrever pro Oi Preguiça fiquei imaginando se teria espaço para um blogueiro do sexo masculino nesse sofá vermelho. Um espaço que vez ou outra é hostil aos “seres da minha espécie”, mas que no fundo sabe que não viveria sem eles. É o tal negócio: ruim com eles pior sem eles. Enfim, decidi aceitar o desafio.

    E resolvi tentar contribuir com a MINHA visão masculina sobre os assuntos que geralmente batem por aqui. Pensando em mim, percebi que sou um homem que gosta da mulher que é parceira. Aquela que está contigo pro que der e vier, custe o que custar e doa a quem doer.

    Para criar polêmica logo de uma vez, defendo a tese de que a Amélia, de Ataulfo Alves -aquela música “Amélia que era mulher de verdade...” -, realmente é a mulher que merece a minha atenção. Deixa eu explicar, antes que as feministas me joguem pedras.

    A música fala do cara que está num relacionamento com uma mulher que “faz tanta exigência”, que “só pensa em luxo e riqueza” e “tudo o que vê já quer comprar”. Até acredito haver otários que gostam das princesinhas dondocas, interesseiras aos montes por aí, que só se contentam com presentes caros, olham o seu carro, querem as baladas mais pop’s.


    Mas eu prefiro a Amélia, que pode estar “passando fome”, mas está ao meu lado, e que quando “me vê contrariado diz: meu nêgo o que se há de fazer”. Não que não gostaria de dar tudo pra pessoa que eu amo. Até porque acho que a mulher merece o melhor. Mas e quando não podemos? Aí é que vemos se o amor é ou não de verdade. Aí é que descobrimos quem é a parceira de verdade.


    Gosto da mulher que está comigo nos bons e maus momentos. Gosto da mulher sem frescura que me acompanha tanto num restaurante top, quanto num boteco pé-sujo pra ouvir música de garagem ou numa roda de samba no meio da rua.

    Aquela que me acompanha num bom vinho espumante, ou nos “três latão dez real” da Lapa. A mesma que levo pra um fim de semana num chalé em Maringá, ou numa barraca de camping apertada na beira do mar e acha bom, só pelo fato de estar ao meu lado. Ela existe e, felicidade, já está comigo!
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  14. O fim de noite no bairro da Glória, Rio de Janeiro, foi de samba-rock. Lá pelas tantas minha amada e eu, já com as cabeças cheias de cerveja, fomos para um boteco na rua de trás ouvir o “boogie-woogie sem pandeiro”* de uma banda de rock.


    Tomando umas e outras, eis que, num intervalo, chega um desses senhores boêmios, magro de tanto trocar as refeições por “umazinha”, pele negra, cabelos brancos, olheiras profundas. Pede um trago da loura gelada na minha mesa. Dou um copo. Ele fica ali na mesa ao lado curtindo o rock e puxa papo.


    Fala que o som é bom. Diz com palavras tortas que se pegasse aquela bateria faria um som melhor que o dos jovens roqueiros. Mas eu, intrigado, indago.


    - O senhor tem cara de quem sabe bater um tamborim, to errado? -, era a deixa que faltava. Se desculpando a cada três palavras ele vai chegando mais perto. Quando vemos já está sentado conosco. “Vocês me desculpem, eu gosto mesmo é de um pandeiro. Me desculpa. Eu tocaria melhor que eles aí. Desculpa. A música tá legal”.


    - Samba é muito bom -, digo. Papo vai, e ele, depois de pedir desculpas mais uma vez, diz: “Eu tenho um samba assim:”, e canta pausadamente o refrão do que parece ser um samba canção bonito toda vida. “A lição da vida vai lhe ensinar a razão do viver.”


    “Bonito”, dizemos eu e ela. “Já quiseram me comprar ele, mas eu não quis”, tentando endireitar a embriaguez. A essa altura, guitarra, baixo e bateria já tinham sido guardados.


    E vai proferindo todas as palavras da letra linda cheia de dor e amor por aquela mulher que precisava aprender uma lição. Nessas horas a gente pede a Deus um gravador ou, no mínimo, uma memória de elefante.


    Papo vem, e virar confidente de bebum era o caminho anunciado. Lembra da mulher que inspirou a música. Passa a mão no rosto antes de começar a contar uma das histórias. “Um dia a gente foi morar em Belém do Pará. Ela com o Deleon nos braços”, para, respira fundo, os olhos vermelhos marejam, passa a mão no rosto mais uma vez.


    Pergunto: “Deleon é o seu filho?”. Faz que sim e continua.


    - E o malandro quis se engraçar com ela, ela com o Deleon nos braços! -, sem perguntar, faço a relação de que talvez ela também tenha se engraçado com o malandro. Ele vai em frente: “Perguntei se ele sabia de onde eu era: ‘Rio de Janeiro, moro na favela’. Dei lhe uma lição.”


    - Quiseram defender, mas no fim todo mundo me deu razão. Ela com o Deleon nos braços!? -, repete desolado, como quem diz: “Imagina só!”. Descobrimos que ele, apesar da mágoa que parece sentir, e provavelmente da que tenha causado à companheira, ainda é casado com ela. “Você me desculpa. Falo pra ela até hoje: ‘a vida ensina’.”


    O papo está bom. Olhamos um para o outro sorrindo. “Que figura rara! E que amor real!”, penso e imagino ter pensado ela também. A hora já vai adiantada, o sono já vencendo, peço a saideira e tento, sem sucesso, repetir o refrão.


    - Como é que é: ‘A razão da vida...’.


    - A lição da vida vai lhe ensinar a razão do viver -, corrige para que eu, enfim, memorizasse. Aperto sua mão.


    - Como é o nome do senhor?


    - Jaime.


    - E da sua senhora?


    -Sandra. Desculpa qualquer coisa.


    - Que nada. Prazer conversar com o senhor!


    Lição da vida aprendida, vamos embora.



    * Trecho adaptado da música Chiclete com Banana - Jackson do Pandeiro
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  15. A minha “mídia” sou eu

    6 de setembro de 2011

    Assisti recentemente à palestra do filósofo, pensador contemporâneo, Pierre Lévy. É atualmente um dos mais respeitados teóricos que falam das novas mídias (internet, redes sociais, hipertextos, enfim, o universo digital). Em resumo, ele acredita na idéia de que estes novos meios de comunicação e seus dispositivos eletrônicos estão se tornando a extensão do próprio corpo do homem-usuário.


    Aqui no blog estava criando uma lista das “10 melhores músicas/artistas musicais para compartilhar” (o tão famoso botão “Share” do Facebook e outros aplicativos). A criação dessa seleção de artistas, como puderam acompanhar nos últimos meses, me mostrou como nos últimos tempos a afirmação do título desse post é cada vez mais uma realidade pra mim.

    Meus relacionamentos, meus gostos, meus ouvidos e olhos abertos à tudo o que está à minha volta... Eu sou a minha própria mídia.

    A mídia que dita tendências, cria modas, “faz a cabeça”, o uso mais corriqueiro deste termo, está migrando das mãos dos grandes veículos de massa para cada um de nós. Dos artistas que citei na minha lista, poucos tinham grande penetração nos meios tradicionais de comunicação populares, que até algum tempo atrás, se não ditavam, pelo menos orientavam meus gostos.

    Estes me abriam um leque de opções reduzido ao que já “existia” e já tinha “dado certo” e algumas poucas “novidades” que seguiam certo “padrão” de qualidade: o “pop” no sentido pejorativo da palavra. É fato que desde sempre, muita gente já apresenta gostos musicais diferentes daquilo que está “na moda”. Também é fato, porém, que agora ficou mais fácil e democrático “ser diferente”.

    Muitos afirmam que Pierre Lévy consegue exercitar em seus livros o dom da premonição. De fato ele “previu”, em meados dos anos 1990, vários dos acontecimentos que mexeriam com a vida de todos no novo milênio. Desde o mundo dos negócios, até o mundo dos relacionamentos íntimos, tudo está sendo transformado pelos avanços da web – a “grande rede”.

    Verdade que ainda existe uma grande parcela da população segregada dessas transformações. O próprio Lévy não nega a existências desses “marginais tecnológicos”, entretanto, como ele afirmou na palestra que tive o prazer de assistir, os números mostram que esta diferença está diminuindo, com tendência a deixar de existir.

    Para o filósofo, a interação é a base de tudo o que se almeja na internet. Segundo afirma, ainda não se chegou ao grau de interação total, mas muitos avanços aconteceram. Lévy criou a idéia da “web semântica”, que seria um nível mais elevado dessa interação. Na verdade, já existem centros de pesquisa pelo mundo trabalhando no desenvolvimento da ferramenta.

    Já imaginaram um mundo onde tudo o que há, desde pessoas, até objetos, bens de consumo, obras de arte, etc. “exista” também dentro da rede? Ouviram falar do “avatar” do Second Life? Pois é esta a idéia do cara.

    A minha lista de artistas para dividir - ainda que dentro das limitações dessa “web não-semântica” - é um sinal dessa interação. Traz artistas que fazem sentido pra mim e um grupo de pessoas que se relacionam comigo, que por sua vez se relacionam com outras pessoas na web, que numa das pontas desta rede ouviram um artista com músicas postadas em seu blog, myspace ou canal no youtube, ou simplesmente “pirateado” de um CD emprestado. Pelo menos 3 dos artistas citados disponibilizam as músicas gratuitamente para baixar pelo site Trama Virtual.

    O que mais me marcou da apresentação de Pierre Lévy, foi a compreensão de que o homem está tentando, cada vez mais, com as permissões das tecnologias, reproduzir aquilo que ele é na web. Só que de maneira ampliada, com possibilidades infinitas. O projeto da “realidade virtual” nada mais é do que poder ver, ouvir, falar, interagir e até sentir o que não pode estar ali de fato.

    Fiquei deslumbrado recentemente, com e-mails de amigos que me mandavam links para uma viagem em 360º pela capela Sistina ou o Santo Sepulcro. “Fui” ao outro lado do mundo ao abrir minha caixa de entrada. Imaginem quando estiverem mais acessíveis financeiramente as tecnologias 3D para o meu laptop!

    Terminei minha lista com a sensação de ter “criado” a minha própria “tendência”. Para mim mesmo mais do que para os outros, que provavelmente não vão gostar de tudo o que ouviram por aqui. Mas utilizando as tecnologias, consegui transportar um pouco de mim para este veículo interativo de possibilidades quase infinitas que é a web. É a mídia que cada um de nós está construindo.


    Ps.: confiram a lista nos posts abaixo:
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  16. "Pra lá de pra frente" é Roberta Sá, cantora que ganha o primeiro lugar na minha lista de músicas pra dividir. Ela diz preferir ouvir ou ler em críticas que é "ótima" ao invés de "bonita". Pra mim é os dois.

    Foi realmente um achado prazeroso a recente obra dessa ótima e bonita cantora e compositora da nossa música. Além de regravar vários nomes consagrados da MPB, essa moça compõe que é uma beleza.

    Roberta Sá foi eliminada do Fama (programa da rede Globo), mas conquistou a fama. Ela, porém, não precisa ser famosa. Pois é artista, de verdade!

    Em parceria com o marido Pedro Luís - dos grupos musicais Monobloco e Pedro Luís e a Parede - ela fala sobre o tempo na bossa novíssima "Janeiros", sua primeira composição: Já passaram dias, inteiros/Janeiros, calendário que nunca chega ao fim/Início sim e só recomeçar.

    Tem uma "lista" de novos compositores que parecem escrever sobre medida pra ela como, por exemplo, Carlos Rennó (autor de "Fogo e Gasolina"), Moreno Veloso e Quito Ribeiro (de "Mais Alguém") e o próprio Pedro Luís.

    Entre as regravações, músicas que consegue transformar em novas, ela tem um "favorito": Chico Buarque. É dele a música escolhida para abrir esse texto, "Essa moça tá diferente". Parece que foi feita pra ela. De Chico, Roberta também transforma "Pelas Tabelas" e canta, em dueto com o próprio compositor, a ótima "Mambembe".

    Canções antigas parecem contemporâneas quando cantadas por ela. Roberta Sá tem essa capacidade com sua voz doce, poderosa, afinada e marcante. Inesquecíveis regravações de Dona Yvonne Lara em "Cansei de esperar você" (transformado em um novo bolero), Dorival Caymi em "A vizinha do lado" (cuja letra remonta à própria Roberta que consegue "mexer com o juízo do homem que vai trabalhar", com todo respeito).

    Poderia ficar escrevendo sobre suas canções, em pouco tempo já inesquecíveis pra mim, por mais uns 10 posts. Mas prefiro sugerir que confiram vocês mesmos o repertório fora de série de Roberta Sá.

    Duas de minhas favoritas:



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  17. 2º lugar - Hoje é dia de Maria

    18 de agosto de 2011

    Hoje é dia do talento “genético” dessa cantora que parece ter notas musicais ao invés de substâncias químicas em seu DNA. Hoje é dia da minha simpatia, quase amor, por essa grande intérprete da nossa música.

    Já devem ter sacado das entrelinhas que falo de Maria Rita. A pequena Maria Rita, com voz de gigante, que passou por cima de preconceitos de alguns sobre sua filiação e semelhança natural com a mãe Elis Regina. Pseudo-críticos que quiseram depreciar o talento da moça com comparações de que “ela não canta como Elis”, “ela tenta imitar a mãe”.

    Até posso entender essas afirmações, uma vez que sempre tentamos preencher o espaço deixado por artistas que nos atordoam vez ou outra com talento e força incomparáveis.

    Maria provou, no entanto, que veio pra fazer a diferença e ocupar um espaço que é só dela. A herança musical dos pais da moça - o pai, César Camargo Mariano, também é músico - deve ter ajudado, mas principalmente no despertar da sensibilidade musical que pode ser estimulada pelo ambiente no qual a pessoa vive ou viveu.

    Mas o talento, o dom que vem não sabemos de onde, Rita tem e é só dela. Voz, carisma, simpatia, beleza ao mesmo tempo simples e estonteante, timbres, musicalidade no corpo (assistam ao DVD Samba Meu para saber do que estou falando!).

    Maria Rita canta novos e velhos compositores. De Rita Lee à Marcelo Camelo, de Milton Nascimento à Moska, ela faz bonito sempre que abre a boca diante de um microfone. Surpreendeu ao soar tão bem em experiências musicais inovadoras, como as cheias de referências de diferentes estilos de Marcelo Falcão e a banda O Rappa.

    Encantou quando cantou sambas de todas as épocas em seus trabalhos mais recentes. Contribuindo para desbancar um pouco o preconceito que ainda persiste em excluir da mpb compositores sambistas talentosos da nossa MPB como Arlindo Cruz, entre outros.

    À Maria Rita minha homenagem rasgada de elogios.




    Num corpo só
    Picolé/Arlindo Cruz

    Eu tentei, mas não deu pra ficar sem você
    Enjoei de tentar
    Me cansei de querer encontrar
    Um amor pra assumir seu lugar

    É muito pouco,
    Venha alegrar o meu mundo que anda vazio, vazio
    Me deixa louco
    É só beijar tua boca que eu me arrepio,
    Arrepio, arrepio

    E o pior
    É que você não sabe que eu
    Sempre te amei
    Pra falar a verdade eu também
    Nem sei
    Quantas vezes eu sonhei juntar
    Teu corpo, meu corpo
    Num corpo só


    Vem!
    Se tiver acompanhada, esquece e vem
    Se tiver hora marcada, esquece e vem
    Vem!
    Venha ver a madrugada e o sol que vem
    Que uma noite não é nada, meu bem
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  18. O jovem jornalista não tinha nada melhor pra fazer naquela noite fria de meados de 2009, em Juiz de Fora (MG). Fora a boa aula de um professor da pós sobre ferramentas de marketing, por aquele dia não havia passado nada de interessante e parecia que terminaria assim, sem mais. Assim que foi convidado por um grupo de amigos jornalistas do curso pra ir até um show que aconteceria no pátio central do campus da Universidade aceitou de pronto.

    Pronto para ouvir músicas que não conhecia e tomar umas cervejas enquanto trocava idéias com os colegas até a noite acabar e a madrugada chegar. Acabou chegando mais perto do palco para ver, admirado, a apresentação daquela nova trupe. Admirável novidade foi a poesia que entrou em seus ouvidos em forma de notas musicais, malabarismos, acrobacias em uma encenação mágica e teatral.

    O Teatro Mágico declamava suas músicas que pra ele se tornaram hinos de um momento ímpar na sua vida. Vital e momentaneamente tudo fazia muito sentido ao ouvir as letras de Anitelli que parecia que haviam sido escritas por ele (as músicas que ele queria ter escrito estavam ali, se poeta fosse). Não fosse a trupe do TM talvez não tivesse começado a se interessar por sons diversos que hoje divertem seus ouvidos.

    Inadvertidamente, fazia toda a diferença estar ali naquele momento, num dia que até então seria tão corriqueiro, mas que acabou deixando sua marca. Deixo vocês com o 3º lugar na minha lista de músicas pra dividir, aguardando o próximo ato deste espetáculo que já está por vir.



    O que se perde enquanto os olhos piscam

    O Teatro Mágico

    Pronde vai?
    Toda tampa de caneta?
    Todo recibo de estacionamento?
    Todo documento original?
    Isqueiro, caderneta,
    A camiseta com aquele sinal...
    Pronde vai... toda palheta?
    Pronde foi... todo nosso carnaval?
    Pronde vai?
    Todo abridor de lata?
    Toda carteira de habilitação?
    Recado não dado, centavo, cadeado?
    Todo guarda-chuva!
    Pra fuga pro temporal!
    Pronde vai... o achado, o perdido?
    Eu não sei, veja bem...
    Não me leve a mal...
    Pronde vai?
    Todo outro pé de meia,
    Carteira, brinco e aparelho dental?
    Pronde vai... toda diadema?
    Recibo, receita e o nosso enredo inicial?
    Pronde vai?
    Toalha de acampamento,
    Presilha, grampo, batom de cacau
    Elástico de cabelo
    Lápis, óculos, clips, lente de contato?
    A nossa má memória!
    A denúncia no jornal?
    Pronde vai... aliança, chaveiro, chave, chinelo?
    E o controle pra trocar canal
    Pronde vai?
    O solo que não foi escrito?
    Labareda nesse labirinto,
    O instinto, o reflexo, sem seguro
    O coro do socorro! o lançamento oficial!
    Pronde vai... a culpa da cópia?
    Pronde foi... a versão original!?
    Pronde vai?
    A bala que se disparô?
    O indício do vício que disseminou
    A busca do corpo por algo vital?
    A firmação do pulso! o discurso radical!
    O troco em moeda... a lição da queda
    Pronde foi... nosso humor e moral?
    Pronde vai? todo nosso desalento
    Morre brisa nasce vendaval
    Pronde vai a reza vencida pelo sono
    Ela vale? me fale... me de um sinal!

    São Longuinho
    Me fale me de um sinal!

    Pra onde foi?
    O canhoto, benjamim de tomada
    Simpleza, prudência, clareza... consideração!
    Autenticidade, compaixão, certeza... o perdão
    A urgência, carrega a dor de bateria,
    O extrato, a ponta, a conta nova, a cola e a extensão,
    O estímulo,o exemplo, a voz dissonante...
    A coragem do meu coração!

    São Longuinho, são Longuinho
    Me fale me dê um sinal!
    São Longuinho, são Longuinho
    Pra onde foi?
    A coragem do meu coração!


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  19. 4º Lugar - Uma roda de samba

    27 de julho de 2011

    Minha carne é de carnaval, meu coração é igual...

    Da mesma leva de novos sambistas, o grupo Casuarina surpreendeu pelo talento e originalidade. Um grupo de amigos da faculdade de música se reuniu pra tocar clássicos do gênero. Ganharam os bares da Lapa, no Rio de Janeiro, e depois o Brasil. Têm inclusive sambas autorais e duas vozes talentosas puxando a roda: João Cavalcanti e Gabriel Azevedo.

    Entre ziriguiduns e balacobacos pelo Brasil e pelo Mundo, já se vão quase 10 anos de banda. O Casuarina gravou dois CDs pela gravadora Biscoito Fino e recentemente o MTV Apresenta, DVD que tem boas participações de Moska, Roberto Silva, Moinho, Wilson Moreira e Frejat. Com um som que passa também pelo choro, eles fazem samba como os grandes do gênero.

    Aí vai a minha preferida: uma versão da música dos Novos Baianos (Infelizmente não encontrei a versão de estúdio dessa música, com a ótima participação da Teresa Cristina)




    Swing de Campo Grande
    Composição: Paulinho, Morais e Galvão

    Minha carne é de carnaval
    Meu coração é igual
    Minha carne é de carnaval
    Meu coração é igual

    Aqueles que tem uma seta e quatro letras de amor
    Por isso onde quer que eu ande qualquer pedaço eu faço
    Um campo grande
    Um campo grande
    Um campo grande ê
    Um campo grande epa!

    Eu não marco touca
    Eu viro touca, eu viro moita
    Eu não marco touca
    Eu viro touca, eu moita
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  20. 5º Lugar - Samba pra reunir

    19 de julho de 2011

    O samba entrou no meu gosto musical a pouco tempo, graças à amiga Roze Martins e sua paixão pelo gênero. Ela dividiu sua admiração pelos sambistas comigo e acabei encontrando outros amigos que me mostraram "antigas novidades". "Novidades" pra mim. "Antigas" porque se tratavam, em muitos casos, de músicas do tempo em que meu avô corria a Lapa nas gafieiras e era ritimista de escola de samba (pois é!).


    Na minha lista de músicas pra dividir, nada melhor do que um bom samba e sua capacidade singular de reunir. Diogo Nogueira é um dos expoentes desse atual momento do samba, em que clássicos esquecidos são redescobertos e novos sambas são criados "à moda antiga" (no jeito de compor as letras e na utilização de instrumentos). Filho do saudoso João Nogueira, o cara é compositor de novos clássicos e intérprete dos grandes nomes do nosso samba.

    Separei um samba do Noel Rosa, "Com que roupa?"; uma homenagem ao pai João Nogueira, autor de "Espelho", samba que o proprio João havia feito para o pai, e que Diogo cantou pra ele; e uma parceria com Marcelo D2.





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  21. 6º lugar - Mais rock

    10 de julho de 2011

    "É rock, mas não só. Em seu caldeirão sonoro há elementos de ska, funk, influências das fanfarras do Leste Europeu e espaço para improvisos." (Estadão)

    "Sempre tivemos dificuldade em definir nosso estilo e durante muito tempo falamos da tal "feijoada búlgara" "(André Gonzales - vocalista da banda)

    "Se o nome do novo álbum dos brasilienses sugere que falta alguma coisa à banda, deve ser isso: falta você ouvir." (Canal Pop - Terra) Ps.: O nome do novo CD é "C_mpl_t_"

    "Um dos melhores produtos peneirados nos festivais de música independente que acontecem Brasil afora desde o fim da década de 1990, a banda brasiliense Móveis Coloniais de Acaju está no limiar entre uma adolescência despretensiosa e criativa e uma idade adulta promissora. " (Gazeta do Povo)

    5º melhor disco nacional de 2009 segundo a revista Rolling Stones.

    "Um dos melhores shows da minha vida" (De um amigo do trabalho)



    O Tempo
    Móveis Coloniais de Acaju

    A gente se deu tão bem
    Que o tempo sentiu inveja
    Ele ficou zangado e decidiu
    Que era melhor ser mais veloz e passar rápido pra mim
    Parece que até jantei
    Com toda a família e sei
    Que seu avô gosta de discutir
    Que sua avó gosta de ouvir você dizer que vai fazer



    O tempo engatinhar
    Do jeito que eu sempre quis
    Se não for devagar
    Que ao menos seja eterno assim



    Espero o dia que vem
    Pra ver se te vejo
    E faço o tempo esperar como esperei
    A eternidade se passar nos dois segundos sem você
    Agora eu já nem sei
    Se hoje foi anteontem
    Me perdi lembrando o teu olhar
    O meu futuro é esperar pelo presente de fazer



    O tempo engatinhar
    Do jeito que eu sempre quis
    Distante é devagar
    Perto passa bem depressa assim



    Pra mim, pra mim



    Se o tempo se abrir talvez
    Entenda a razão de ser
    De não querer sentar pra discutir
    De fazer birra toda vez que peço tempo pra me ouvir
    A gente se deu tão bem
    Que o tempo sentiu inveja
    Ele ficou zangado e decidiu
    Que era melhor ser mais veloz e passar rápido pra mim



    Eu que nunca discuti o amor
    Não vejo como me render
    Ah, será que o tempo tem tempo pra amar?
    Ou só me quer tão só?
    E então se tudo passa em branco eu vou pesar
    A cor da minha angústia e no olhar
    Saber que o tempo vai ter que esperar

    E o tempo engatinhar
    Do jeito que eu sempre quis
    Se não for devagar
    Que ao menos seja eterno assim
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  22. 7º Lugar - MPB pra dividir

    3 de julho de 2011

    Lembra Marisa Monte, não? Vale a pena baixar o CD: da primeira à última faixa bom!



    Repara
    Monique Kessous

    Repara na gota de chuva que cai pelo mundo
    Repara no que não se espera mais aconteceu
    Escorre pelo seu olhar
    A chuva para de falar
    Repare e repare bem

    Aquele som que vem do nada sacudindo tudo
    Na ilusão que chega quando tudo se perdeu

    Se vá ficar
    Continuar ao final não pare
    Repare

    Quando chegar, conte
    Pr'outro lugar, ande
    Até se encontrar
    Perto de estar à vontade cante
    Cante que a vida é feita para se viver e cantar
    Repare
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  23. 8º lugar - Rock para dividir

    26 de junho de 2011

    Nada dessas bandinhas coloridas com letra de música sertaneja e pagode tocada com guitarra. Rock bom ainda existe! É o som do Nevilton, banda que "descobri" vendo o comercial de um festival de rock na MTV. Aqueles 10 segundos de música que eu ouvia me chamaram a atenção e fui conferir.

    O Nevilton é mais uma das bandas que fazem parte do set list da Trama Virtual, um site que disponibiliza música gratuita e com boa qualidade para baixar e ainda paga o artista!!! Pois é, o artista disponibiliza as gravações e quando os downloads atingem um certo número a Trama paga determinado valor à banda. Pra nós é grátis, pra banda é remunerado (bom né?).

    É uma dessas bandas da nova geração influenciada pelos Los Hermanos e que traz alguns traços do indie rock internacional (leia entrevista com a banda). Enfim, tenho ouvido muito as músicas do Nevilton e faço questão de colocar no último volume no som do carro. As letras são boas e querem dizer muita coisa:



    O Morno
    Composição: Nevilton de Alencar


    Ele só queria ver o sol
    Mas nunca saía do seu quarto
    Culpava a incerteza e a distância
    Só se for fácil e garantido, aí eu faço

    Nunca joga nada e quer massagem (só massagem)
    Não quer nem ver o jogo e só quer gol (só quer gol)
    Não lê o livro, só quer a mensagem (nunca lê)
    E só chupa a laranja que um outro descascou

    Rezava, mas esquecia de crer
    Queria o bem, mas só levava a mal
    E quando, então, o papo era fazer
    Preferia voltar só no final

    Pois sempre foi mais fácil esperar (esperar)
    E ver as flores no jardim dos outros (no jardim)
    Esperar para ver no que vai dar (vai dar sim!)
    E se for legal, por que não fazer igual?

    Queria muito viver bem a vida
    Mas esquecia apenas de viver
    Passava o dia olhando pra parede
    E nunca via nada acontecer

    Queria saber como é viajar (viajar)
    Mas tinha medo de algo dar errado (dar errado)
    Então achava melhor nem tentar (nem tentar)
    E esquecia que podia ter amigos ao seu lado

    Enfim, um dia ele acordou pra vida
    E experimentou o que é viver
    E amou, errou, tentou, leu, descobriu...

    Que é natural nem tudo sair como se espera
    Mas todo ano chega a primavera
    E o calor do sol sempre ta aí pra te abraçar
    Pode sorrir!
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  24. Direto do pendrive da minha namorada, esta banda de dois integrantes chamada Pouca Vogal é exemplo de como existe música boa no Brasil além do eixo cultural Rio-São Paulo. Aliás, esse eixo imposto pela grande mídia, na minha opnião, pode-se dizer que se trata de uma ditadura musical que excluía (até que chegou a internet) o restante do país. Mas voltando à lista, Pouca Vogal é um projeto de dois músicos gaúchos dissidentes de bandas de pop/rock: Humberto Gessinger - Engenheiros do Hawaii e Duca Leindecker.

    Assisti a um show deles no Rio e achei muito legal o fato de parecer existir no palco uma banda, quando na verdade são só os dois tocando. Além tocar os violões com as mãos, os músicos se encarregam de tocar instrumentos de percussão com os pés e instrumentos de sopro com a boca (a gaita do Gessinger). O nome "Pouca Vogal" faz referência a predominância de letras consoantes nos sobrenomes dos dois integrantes.

    Vale a pena baixar as músicas disponíveis no site www.poucavogal.com.br, mas é bom procurar outras gravações deles, como esta no vídeo e letra abaixo, que é a minha favorita:




    Dia Especial
    Pouca Vogal
    Composição: Duca Leindecker / Cidadão Quem

    Se alguém já te deu a mão
    E não pediu mais nada em troca
    Pense bem
    Pois é um dia especial


    Eu sei que não é sempre que a gente encontra
    Alguém que faça bem e nos leve desse temporal
    O amor é maior que tudo
    Do que todos até a dor se vai

    Quando o olhar é natural
    Sonhei que as pessoas eram boas
    Em um mundo de amor
    E acordei nesse mundo marginal

    Mas te vejo e sinto
    O brilho desse olhar que me acalma
    Me traz força pra encarar tudo
    Mas te vejo e sinto
    O brilho desse olhar que me acalma
    Me traz força pra encarar tudo
    O amor é maior que tudo, do que todos, até a dor

    Se vai quando o olhar é natural
    Sonhei que as pessoas eram boas
    Em um mundo de amor
    E acordei na terceira guerra mundial

    Mas te vejo e sinto
    O brilho desse olhar que me acalma
    Me traz força pra encarar tudo (4x)
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  25. Tá cheio de música boa na MPB rolando por aí. E tudo por causa da internet que nos possibilitou ver e ouvir pessoas talentosas dos mais diversos cantos do país e dos mais diferentes gêneros musicais - artistas que talvez nem pensaríamos em ouvir. Dá pra dizer que nos últimos anos, pra ser conhecido, um artista precisa "aparecer" muito mais na rede do que na TV.

    E o bom é que temos a LIBERDADE de escolher ouvir o que quisermos sem o "agenda setting" da grande mídia (tão chata e conservadora na maior parte do tempo). E melhor do que isso é poder dividir nossos gostos musicais com "todo mundo" e "trocar figurinha": ouvir sugestões dos outros sobre o que ouvir.

    Pensando nisso começo hoje uma nova LISTA com as músicas que fizeram a minha cabeça nos anos 2000, por causa da internet e da troca de pendrives com amigos. Coisas que eu "descobri" ou me foram apresentadas, e que eu gostaria de dividir (share).

    Em 10º Lugar:



    Felicidade
    Com Marcelo Jeneci e Laura Lavieri
    Composição: Marcelo Jeneci/ Chico César


    Haverá um dia em que você não haverá de ser feliz.
    Sem tirar o ar, sem se mexer, sem desejar como antes sempre quis.
    Você vai rir, sem perceber, felicidade é só questão de ser.
    Quando chover, deixar molhar pra receber o sol quando voltar.
    Lembrará os dias que você deixou passar sem ver a luz.
    Se chorar, chorar é vão porque os dias vão pra nunca mais.

    Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você.
    Chorar, sorrir também e depois dançar, na chuva quando a chuva vem.
    Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você.
    Chorar, sorrir também e dançar.
    Dançar na chuva quando a chuva vem.

    Tem vez que as coisas pesam mais do que a gente acha que pode aguentar.
    Nessa hora fique firme, pois tudo isso logo vai passar.
    Você vai rir, sem perceber, felicidade é só questão de ser.
    Quando chover, deixar molhar pra receber o sol quando voltar.

    Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você.
    Chorar, sorrir também e depois dançar, na chuva quando a chuva vem.
    Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você.
    Chorar, sorrir também e dançar.
    Dançar na chuva quando a chuva vem.
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  26. E pro dia dos namorados...

    11 de junho de 2011

    Quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração,
    E quem irá dizer que não existe razão...


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  27. Nossa insensatez

    7 de junho de 2011

    Ouvir e calar
    Calar até não conseguir segurar
    Segurar até precisar extravasar
    Extravasar sem medir as consequências
    É a minha insensatez

    Falar sem pensar
    Pensar que tudo está fora do lugar
    Dar lugar à raiva e extravasar
    Extravasar sem medir a força das conseqüências
    É a sua insensatez

    Insistir em perdoar
    Pedir perdão e não parar de errar
    Errar e esquecer a promessa de mudar
    Prometer sem ter forças pra cumprir
    Ser imperfeito, ser humano
    Enfim, amar sem medida
    é a nossa insensatez
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  29. Žižek, o comunista pop

    25 de maio de 2011

    Não poderia imaginar que aquele senhor excêntrico e agitado, com tiques que deixam qualquer um nervoso, teria tanto a me dizer. O escritor esloveno Slavoj Žižek, o mais pop dos teóricos do comunismo contemporâneo, esteve no Rio ontem e fui conferir. Com duras posições sobre a sociedade materialista, “que transforma tudo em commoditties”, Slavoj foi sensato ao revelar as ideologias que impregnam todas as esferas do capitalismo atual. Separei alguns momentos da palestra com o objetivo de divulgar o lançamento de dois de seus livros (Primeiro como tragédia, depois como farsa e Em defesa das causas perdidas), que aconteceu no cine Odeon, Cinelândia, Centro do Rio.

    ECOLOGIA – O filósofo marxista se recusa a utilizar o termo da moda, sustentabilidade, para falar do tema tão em voga atualmente. Em seu discurso prefere falar em Ecologia, palavra que foi bastante difundida quando começou a onda “verde” mais fortemente na década de 70. Ele afirma que a ideologia por trás da Ecologia é a necessidade capitalista e individualista de “se livrar da culpa”. “Quando uma pessoa não usa um copo de plástico faz isso para suprir uma necessidade individual de se sentir bem. Dizer ‘fiz a minha parte e que se dane o resto’ não é enfrentar de fato o problema. É apenas um paliativo para resolver uma situação que vai muito mais além”.

    UM CAFÉZINHO NA STARBUCKS – Ao falar da prática capitalista de “tornar tudo um commodittie”, Slavoj conta o exemplo da maior rede de cafeterias do mundo, que vende “os cafés mais caros do mundo”. “A Starbucks diz ‘este café é o mais caro porque 1% do seu valor vai para as crianças famintas na Guatemala, outro 1% para o projeto de caridade tal’, e você acaba engolindo aquilo sem questionar”, atenta, esclarecendo que na verdade estão repassando para nós o preço desta falsa filantropia.

    SEXO NO CINEMA – Também crítico de cinema pelo qual se mostra um apaixonado, a todo o momento Žižek dá exemplos de filmes para falar de suas teorias. Por exemplo, o último filme de James Bond, que segundo ele, foi o único da série em que não houve no final sexo entre Bond e a “Bondgril” (não necessariamente a cena de sexo, mas sua insinuação). “Está implícito nisso a ideologia da segurança. Até o amor deve ser seguro. Você pode se apaixonar mas sem ser arrebatado por essa paixão. É uma paixão fria, racional, como tudo o que precisamos ser segundo a lógica capitalista”. Ele também aponta a omissão do sexo nos filmes Código da Vinci e Anjos e Demônios, ainda que nos livros de Dan Brown o sexo seja narrado.

    FINAL - Terminando a palestra, Slavoj usa - acredito que propositalmente - o termo 'inimigo' para alertar para os enganos da busca por segurança, ideologia principalmente difundida pelos americanos diante da falsa ameaça do terrorismo. "Tente ler as entrelinhas por trás das coisas que se passam a todo o momento. Não deixe que o 'inimigo' consiga te fazer pensar que este é o caminho natural das coisas..."
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  30. A lista nacional

    16 de maio de 2011

    A lista nacional começa com Meu Tio Matou Um Cara, que não está na minha seleção por causa da sempre boa atuação de Lázaro Ramos, no papel do tio “assassino”. Nem por ter a sempre seminua Débora Secco no papel da namorada do tio. Mas sim por ter uma historinha pano de fundo de um amor adolescente, desses que a gente sente saudade, entre Duca, vivido por Darlan Cunha – o Laranjinha, e Isa, vivida por Sophia Reis. A trilha sonora, assinada por Caetano Veloso, se encaixa perfeitamente ao clima do filme. Na mesma linha adolescente, vale muito a pena As Melhores Coisas do Mundo. Ver este filme, que tem no elenco Denise Fraga brilhante e quebrando ovos (quem viu sabe do que estou falando!), foi uma prazerosa volta aos meus tempos de escola.

    O Homem Que Copiava, tem de novo Lázaro Ramos no papel principal, vivendo André, um operador de Xerox que quer impressionar Silvia (Leandra Leal). Acaba se envolvendo com Luana Piovani (a sedutora Marinês) e Pedro Cardoso (Cardoso) num esquema de falsificação de dinheiro. O diferente nesse filme é o fato de ter um herói fora dos padrões do “bom-moço”. Acabamos torcendo para que ele saia impune das falcatruas e até para que consiga assassinar uma pessoa. Atualização do anti-herói da literatura.

    Bicho de Sete Cabeças revelou o grande ator Rodrigo Santoro na pele de Neto, um jovem que é internado em um hospital psiquiátrico depois que seu pai descobre um cigarro de maconha em suas roupas. No tal hospital o jovem passa por “tratamentos” dignos de torturas da idade média. O filme tem ainda Cássia Kiss no papel da mãe de Neto, e Gero Camilo, engraçadíssimo encarnando o interno Ceará. É “político” por tratar abertamente da questão dos manicômios e, ao mesmo tempo, “sensível” ao tocar sem pudores nas dificuldades do relacionamento familiar. Sem falar na música tema do filme do Zeca Baleiro.

    Elegi Cidade de Deus e Carandiru como os dois exemplos de filmes que tratam da questão social brasileira. O primeiro mostrou ao mundo, pela primeira vez, as entranhas do crime organizado no Brasil. E fez isso num ótimo thriller de ação. O segundo é um exemplo de boa adaptação de livro para o cinema. No caso, o livro Estação Carandiru de Dráuzio Varella, sobre o tempo em que foi médico no presídio paulista que seria palco da maior chacina do sistema prisional brasileiro.

    O Brasil também sabe fazer bons romances. É o que provam dois exemplares nacionais do gênero: Pequeno Dicionário Amoroso e Amores Possíveis. E os dois filmes trazem sacadas inteligentes para falar de amor, tema tão batido nos cinemas. Pequeno Dicionário Amoroso, com Andréia Beltrão e Daniel Dantas vivendo o par romântico, fala das várias fases de um relacionamento de A a Z. Já Amores Possíveis tem como ponto de partida um desencontro entre os personagens de Carolina Ferraz e Murilo Benício. A partir daí são contadas três histórias com os diferentes rumos que este desencontro poderia ter tomado.

    Fernanda Montenegro dispensa apresentações. Infelizmente não conheço toda a sua filmografia, até pelo fato de ser um ainda jovem interessado no cinema nacional. Mas três dos recentes filmes desta atriz não poderiam deixar de fazer parte da minha lista: Central do Brasil, o ganhador do Oscar, O Outro Lado da Rua, em que temos o privilégio de vê-la vivendo um par romântico de terceira idade com Raul Cortez, e Casa de Areia, que mostra que o talento pode estar no DNA, já que divide a cena com a filha Fernanda Torres.

    Quando escreveu, em 1955, a peça teatral em forma de auto, Ariano Suassuna, não imaginaria que O Auto da Compadecida faria sucesso nas telas de cinema do Brasil. Engraçado demais este filme. Atuações fora de série. Matheus Nachtergale vive o aproveitador João Grilo, Selton Mello é o covarde e mentiroso Chicó, Marco Nanini é o cangaceiro Severino de Aracaju, Fernanda Montenegro encarna a Compadecida entre outros artistas de peso... Não sei, só sei que foi assim.

    Como já disse antes, quando o cinema e a música se complementam, o filme não pode ser ruim. É assim em Os Desafinados, que tem como pano de fundo a história da Bossa Nova, com suas belas canções de amor, humor e poesia. O elenco tem Rodrigo Santoro, Alessandra Negrini, e uma das melhores atrizes brasileiros na minha opinião, Cláudia Abreu. (Por falar em música e Cláudia Abreu, outro filme bom de se ver é O Caminho das Nuvens, que tem as músicas de Roberto Carlos embalando a trajetória de uma família retirante nordestina).

    No quesito documentário, Faixa de Areia é um ótimo filme que fala sobre as praias do Rio. Os documentaristas vão desmontando o pensamento coletivo lugar comum de que “a praia é o lugar onde todo mundo se mistura”, “na praia não tem preto, branco, pobre, rico”. Apresentam as segregações culturais e sociais que existem ao percorrerem o litoral carioca, abençoado por belas e diferentes praias. A diversidade convive no mesmo espaço, mas nem por isso ela deixa de existir.

    Muito Gelo e Dois Dedos D’água foi indicado pela amiga blogueira Clara Del Vale. É a história, regada a drogas lícitas e ilícitas, de duas irmãs que armam uma vingança para a avó megera, vivida por Laura Cardoso. Neste filme percebi que Mariana Ximenes e Thiago Lacerda sabem atuar. Como a Globo pode limitar um ator não é mesmo? A bela atriz vive uma jovem perturbada e traumatizada pelas torturas psicológicas promovidas pela avó. O galã mostra que sabe ser engraçado e vive um tipo desajeitado e tapado, marido de Paloma Duarte, a outra irmã traumatizada. Os desenhos que formam os flashbacks da infância das irmãs são bem utilizados. Muito Bom.
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  31. Foi tudo verdade... e grátis

    18 de abril de 2011

    Estreando no 16º Festival “É tudo verdade”, que aconteceu no Rio e em São Paulo entre os dias 31 de março e 10 de abril, o documentário “Granito” mostrou de modo objetivo as atrocidades cometidas pelo exército da Guatemala no período ditatorial do final do século passado. Sob a perspectiva das tentativas de julgamento e punição dos ditadores guatemaltecos, a documentarista americana Pamela Yates, retratou como as imagens de um documentário anterior - “When the mountains tremble” - foram imprescindíveis para os desdobramentos do processo contra os acusados.

    Em suma, é uma narrativa cheia de esperança de que “um dia” a “justiça será feita” para os familiares e ex-prisioneiros políticos nativos do país da América Central. A situação na Guatemala não é diferente da de vários países latino-americanos entre 1970 e 80, quando o fantasma do comunismo aliado a interesses de grupos políticos locais tomou conta, fazendo surgir vários regimes absolutistas.

    No entanto, a singularidade deste episódio está justamente na atitude quase heróica da própria diretora do filme, que saiu dos Estados Unidos com o objetivo de documentar os acontecimentos na Guatemala. Como ela mesma conta, o que motivou as filmagens foram as informações de que o Tio Sam financiaria todas as atrocidades cometidas pelos líderes do Exército no país. “Não conseguiria entrar no país não fosse a ajuda de colegas jornalistas que tinham credenciais para trabalhar no país”, diz.

    As imagens gravadas no início dos anos 80, período mais duro da ditadura na Guatemala, seriam utilizadas nos anos 2000 em um tribunal internacional instituído pelo governo da Espanha. Imagens de valas onde eram encontrados centenas de corpos, repressão do exército a manifestantes nas ruas e até entrevistas exclusivas com os generais e líderes da ditadura, que achavam a moça americana uma repórter que não representava ameaças. Tudo documentado.

    Ao final das investigações e depois de ouvidos depoimentos de várias vítimas e familiares, porém, o tribunal só poderia chegar a um veredicto depois de ouvir os principais acusados de serem os mandantes do genocídio. O governo da Guatemala, ainda contaminado por grupos ligados aos acusados, porém, se negaria a deportá-los para serem ouvidos. Do final da edição do documentário pra cá, pouca coisa mudou.

    Ao contrário do que eu pensava ao ler o nome do filme na programação do festival, “Granito” traz, na verdade, a proposta de ser um ‘grãozinho de areia’ na defesa da verdade e da justiça (antes de assistir havia feito relação do nome do filme com a rocha que em português leva o nome de Granito, o que acabou sendo um interessante ‘fator surpresa’ na hora em que assisti ao filme).

    Melhor do que assistir ao documentário sem pagar um centavo por isso, foi poder participar de um bate-papo com a própria documentarista. No fim da sessão ela nos falou um pouco mais sobre a experiência que teve com o povo da Guatemala durante os vários anos de convívio com extermínios, desaparecimentos, prisões e a corrupção. Uma das vitórias alcançadas após a finalização do filme, segundo contou Yates, foi a proibição dos acusados de viajarem para fora da Guatemala. O bloqueio, porém não é nada comparado aos crimes cometidos ainda impunes.


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  32. Sentença

    15 de abril de 2011

    É tudo culpa minha, verdade. Fui eu. A responsabilidade por tudo foi minha. Não há como escapar do fato de que eu fui o culpado. E nada do que você diga vai mudar isto. E tudo o que vem de você me diz isso. Todas as palavras que saem da sua boca apontam o dedo para mim, expondo: “foi você”. Verdade. Fui eu. Eu, eu, eu. Assumo o dolo. Que me pese os ombros esta carga. Que eu carregue este fardo. De deixar você me fazer sentir assim.
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  33. Allan Stewart Königsberg

    28 de março de 2011

    O nome do título acima é na verdade como se chama de verdade o diretor americano mais conhecido como Woody Allen. A ele são atribuídas várias ótimas (e algumas polêmicas) frases que resolvi publicar. Aí vai:

    "As pessoas sempre se enganam em duas coisas sobre mim: pensam que sou um intelectual (porque uso óculos) e que sou um artista (porque meus filmes sempre perdem dinheiro)".

    "Separei-me de minha esposa porque ela era terrívelmente infantil. Uma vez, eu estava a tomar banho na banheira, e ela afundou todos os meus barquinhos sem nenhum motivo aparente".

    "Só há um tipo de amor que dura, o não correspondido". (será?)

    "É muito difícil fazer sua cabeça eseu coração trabalharem juntos. No meu caso, eles não são nem amigos".

    "Noventa por cento do sucesso se baseia simplesmente em insistir."

    "O mundo divide-se em pessoas boas e pessoas más. As pessoas boas têm um sono tranquilo. As pessoas más divertem-se muito mais".

    "Não despreze a masturbação. É fazer sexo com a pessoa que você mais ama".

    "O homem explora o homem e por vezes é o contrário".

    "Não é que eu tenha medo de morrer. É que eu não quero estar lá na hora que isso acontecer".

    "Eu era muito jovem para ter um carro, então transava com as moças no banco de trás de minha bicicleta".

    "Se Deus existe, por que Ele não me dá um sinal de Sua existência? Como por exemplo, abrir uma bela conta em meu nome num banco suíço?"

    "E se tudo que conhecemos for uma ilusão, e nada existe de verdade? Nesse caso, acho que paguei demais pelo tapete da sala".
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  34. 1 – A campanha dos meios de comunicação e veículos de imprensa deveria ser por mais banheiros químicos, e não para recriminar os “mijões”, que só o são pelo vergonhoso número de locais próprios. Vi propagandas chamando os foliões de cachorros, mas ficar na fila dos banheiros químicos que transbordavam (literalmente) é como se fôssemos porcos.

    2 – Ajudei a fundar um bloco, no Santa Teresa (Rs). Pois é, subimos o famoso bairro carioca para um bloco que estava marcado para acontecer ali. Porém, ao chegarmos ao Largo dos Guimarães, não havia nada, apenas um tamtam e um pandeiro, três ou quatro pessoas nos perguntando: “Vocês estão procurando bloco? Então fica aqui...” O fato é que depois de alguns minutos já éramos 50, 100, 200, ... Se juntaram ao pandeiro e ao tamtam, um tamborim, um surdo e um trompete, pra folia ficar completa. Foi o ponto alto do carnaval pra mim, com direito a descida de bondinho pelo bairro, por apenas 60 centavos.

    Ps.: Ano que vem tem mais “Procurando Bloco?”, o bloco que esquenta mais não sai, domingo a tarde em Santa Teresa.

    3 – Da próxima vez vou tentar procurar os blocos menos famosos, pois em alguns casos quase não ouvi a música das bandas e baterias. Por conta da quantidade de gente, não dava pra chegar perto de alguns dos blocos.

    4 – “Se você fosse sincera ÔÔÔÔ Aurora...” (a música do carnaval composta por Mário Lago e Roberto Roberti).
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  35. Carnavália

    3 de março de 2011

    (Marisa Monte, Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes)

    Vem pra minha ala que hoje a nossa escola vai desfilar
    Vem fazer história que hoje é dia de glória nesse lugar
    Vem comemorar, escandalizar ninguém
    Vem me namorar, vou te namorar também
    Vamos pra avenida, desfilar a vida, carnavalizar

    Na Portela tem Mocidade, Imperatriz
    No Império tem uma Vila tão feliz
    Beija-Flor, vem ver, a porta-bandeira
    Na Mangueira tem morenas da Tradição

    Sinto a batucada se aproximar
    Estou ensaiado para te tocar

    Repique tocou, o surdo escutou
    E o meu corasamborim
    Cuíca gemeu
    Será que era eu
    Quando ela passou por mim
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  36. Lista

    17 de fevereiro de 2011

    Resolvi fazer listas. A gente sempre faz listas do tipo “as melhores músicas que eu já ouvi”, “os melhores lugares onde eu fui”, “os melhores amigos (do momento)”, “as melhores festas da minha vida”, livros... Enfim, temos a necessidade de classificar. É humano e faz bem. Ajuda a definir padrões, mesmo que eles sejam apenas momentâneos. “Todas as pessoas classificam, porque classificar é uma ordem de raciocínio”, diz a teoria. E resolvi ordenar um pouco as minhas paixões. Começo pelo cinema – primeiro o internacional – pelo qual sou um aficionado convicto e confesso. Não é uma lista definitiva, e sempre pode haver mudanças, dependendo do momento da classificação. Era pra ser um Top 10, mas não queria ordenar e no fim das contas acabei selecionando 11 filmes.

    Matrix – A trilogia: começo com esse novo clássico da ficção científica. Filmaço que inovou nos efeitos especiais. Dizem os críticos que apenas o primeiro filme foi bom porque trouxe vários questionamentos filosóficos sobre a sociedade líquida. Eu discordo. A “filosofia Matrix” foi muito bem explorada no primeiro filme e continuar aprofundando o que já estava profundo nos outros dois poderia tornar a história repetitiva, além disso, já no primeiro filme dava pra ter idéia do rumo que o roteiro ia nos levar.

    O Senhor dos Anéis – A trilogia: trilogias precisam ser histórias que não caberiam em duas, três horas de reprodução. E três é um bom número, quatro fica um pouco demais. Não só pela extensão da obra de J.R.R. Tolkien, mas pelo instigante conteúdo, a saga do anel não poderia deixar de ser uma. Gosto de filmes que trazem a fantasia de universos irreais e este é um épico do gênero. Sobram atos heróicos para fazer quem assiste vibrar no banco do cinema. Memorável a atuação de Andy Serkis na pele de Gollum.

    American Pie – A trilogia: Fechando a lista de trilogias, um título bem pipoca com guaraná. Contrariando as críticas mais intelectuais, o filme é um ícone do gênero “filme adolescente americano”. As situações são hilárias e num roteiro muito bem amarrado. Fora todos os clichês da sociedade colegial do Tio Sam, pessoalmente, tratou com humor vários dilemas da minha própria adolescência. As outras continuações dessa série não entram na minha lista, primeiramente porque não vi todos, segundamente porque não têm a mesma qualidade e principalmente porque não falam da mesma história com o mesmo grupo de personagens.

    Queime depois de ler: os filmes dos irmãos Cohen (Ethan Jesse e Joel David) são sempre surpreendentemente maravilhosos. Escolhi este dentre os vários deles que vejo e revejo no meu DVD (Onde os fracos não têm vez, Um homem sério, E aí, meu irmão, cadê você?...). Os caras são vanguarda no que fazem, e seus filmes sempre deixam uma sensação de incômodo. “Queime...” é uma comédia inteligente que trouxe Brad Pitt num papel diferente do usual e mostrou que o galã sabe atuar.

    Diamante de Sangue: inexplicavelmente (?!) filmes sobre jornalistas chamam minha atenção. Foi assim em Quase famosos, Todos os homens do presidente, O Informante, é assim em Diamante de Sangue. Tendo como pano de fundo o caos e a guerra civil que dominou Serra Leoa, África, na década de 1990, a película conta a história de Danny Archer, um ex-mercenário do Zimbábue que contrabandeava os diamantes de sangue (usados para financiar a compra de armas de guerra), e Solomon Vandy, um pescador da etnia Mende. Maddy Bowen é uma jornalista americana idealista que está em Serra Leoa para desvendar a verdade por trás dos diamantes. Maddy vai atrás de Archer como personagem para seu artigo, porém logo descobre que é ele quem precisa muito mais dela. Archer precisa de Solomon para encontrar e recuperar um valioso diamante rosa, porém Solomon pensa em algo muito mais precioso... seu filho. Reproduzi a descrição Wiki do filme porque não existiriam opiniões que traduzissem o quanto este filme é “valioso”. Só vendo mesmo.

    Um grande Garoto: além dos bons roteiros, filmes conseguem me encantar quando trazem uma trilha sonora que complementa cenas, falas e personagens. Um grande garoto começa e termina com músicas que emolduram toda a boa história baseada no livro do escritor Nick Hornby. O elenco tem a talentosa Toni Collette, a bela Rachel Weisz e o regular (no melhor sentido da palavra) Hugh Grant. É a história de um garoto que ensina um marmanjo a crescer. Assista a dois clipes da trilha sonora do filme no post abaixo.

    Volver: Escolhi este para falar do grande diretor Pedro Almodóvar, ostentor de uma filmografia cheia de obras-primas, como Má Educação e Mulheres a beira de um ataque de nervos, entre outros. Seus filmes são singulares porque sempre arrumam um jeito de tocar em questões tidas como tabus, principalmente em sociedades conservadoras como as de origem latina (Almodóvar é espanhol). Este filme traz a boa atriz Penélope Cruz no papel principal, da esposa que precisa se virar depois que o marido abusa da filha. Não conto mais porque o filme é surpreendente e vale a pena assistir.

    Em busca da terra do nunca: Dois dos meus atores preferidos atuam juntos neste filme: Kate Winslet e Johnny Depp. Ambos estão brilhantes nesta história que nada mais é do que a metáfora da vida do escritor James Matthew Barrie, comparada com a de seu principal personagem, Peter Pan. Na “vida real” o menino sério que queria ser adulto rápido, mas que no fundo escondia a mais infantil das crianças, vira Peter no livro. A avó rabugenta, brava e superprotetora é a metáfora para capitão Gancho, o pirata vilão. A fada sininho é o sopro de vida que o escritor tenta levar à mãe dos meninos, que no livro como na vida real, acabam virando órfãos.

    Vivendo a vida adoidado: é o típico filme “sessão da tarde”, clássico dos anos oitenta, sobre um jovem que mata aula com os amigos, passa o dia aprontando e no final não é pego. O sonho de qualquer estudande. Na mesma sacola coloco os ótimos Goonies, Mulher nota Mil e A dama de vermelho, entre outros, que fizeram a minha diversão na infância e que ainda fazem a minha cabeça.

    O Monstro: comédia engraçadíssima do ator, produtor, diretor, roteirista, palhaço e gênio italiano Roberto Benigni. Já vi três filmes deste grande artista contemporâneo, entre eles o emocionante e triste A vida é bela, e gostaria de conhecer mais de sua obra. O Monstro conta de forma irreverente a história de um ladrão barato que se apaixona por uma policial (Nicoletta Braschi, esposa de Benigni na vida real e parceira em praticamente todos os seus filmes) e, por isso, acaba sendo confundido com um estuprador-assassino em série que anda à solta pela cidade.

    Uma linda mulher: exemplar de um gênero de filmes que os americanos sabem fazer bem: as comédias românticas “mamão com açúcar”, que nem por isso deixam de ser bons filmes. Poderia citar uma série deles como Mensagem pra você, A teoria do amor, Um lugar chamado Nothing Hill, entre tantos... O filme tem Julia Roberts (ganhadora do Oscar pela consistente atuação em Erin Brockovich) no papel de uma prostituta que se apaixona por um ricaço e vive um romance digno de Cinderela. Aliás, esta é a grande sacada do filme, atualizar um velho e empoeirado conto de fadas.
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  37. Dois divertidos clipes da trilha sonora do filmaço Um grande garoto (leia acima o post sobre os "melhores filmes da minha vida", até o momento). Ps.: Os clipes devem ser vistos na sequência.
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  38. Religiosamente

    2 de fevereiro de 2011

    A Santa Cruz me fez crescer
    A Santa Cruz me ensinou a viver
    Um pouco mais

    Me trouxe luz, a Santa Cruz
    Me fez sentir solidão
    A Santa Cruz da paixão
    Paixões passageiras de Santa Cruz

    (Amor verdadeiro longe de lá)
    Idas e vindas de Santa Cruz
    Lugar das minhas saudades
    Agora saudosa será

    A Santa Cruz do povo unido
    Dos conhecidos de Santa Cruz
    Amigos certos de horas incertas
    Que certamente ficarão

    A Santa Cruz de Janeiro
    Por que do Rio não era
    apenas um rastro ligeiro

    As bebedeiras de Santa Cruz,
    As “forrozeiras” noites inteiras
    Os sambas (ah os sambas!)
    Lembranças boas de Santa Cruz
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