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  1. Sachsenhausen

    20 de julho de 2009

    "Uma parte de nossa existência está nas almas de quem se aproxima de nós; por isso, não é humana a experiência de quem viveu dias nos quais o homem foi apenas uma coisa ante os olhos de outro homem." (Primo Levi, sobrevivente de Campo de Concentração Nazi)

    Fotos tiradas no Campo de Concentração Sachsenhausen, em Oranienburgo, Alemanha, que tive a oportunidade de conhecer no Mochilão. Foi o primeiro campo nazista, modelo para as demais prisões construídas durante a era Hitler. Mais informações sobre essa aterradora parte da história humana aqui.
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    valas onde eram empilhados os corpos dos prisioneiros
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    muitos dos edifícios foram destruídos ou incendiados após o fim da Guerra
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    um dos "QGs" dos soldados Nazi
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    arame e concreto
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    propaganda anti-Nazi
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    esculturas
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    a zona neutra: quem pisasse depois das pedras poderia ser fuzilado
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    homenagem
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    uma das celas da solitária
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    torre de observação
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    muitas pessoas levam pedras até alguns dos ambientes do Campo como forma de homenagear as vítimas
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  2. Minha mãe mochileira

    13 de julho de 2009

    O que sua mãe faz? É dona de casa... Lava roupa... Faz quitutes pra vender... Costura... Cozinha... Faz comida gostosa... Trabalha como diarista... É professora... É projetista... Engenheira... Gerente de banco... É instrumentista... Dançarina... Produtora... Gari... Médica... Advogada... Empresária...

    Além de algumas das "funções" citadas acima, a minha é "mochileira". Sim, mochileira. Daquelas que coloca algumas coisas na bolsa e sai pelo mundo, dorme em albergues, anda dias e dias, faz várias viagens de avião... Acompanhando os filhos sem ligar pra luxo, nem lixo.

    Um dos pontos altos do mochilão, com certeza, foi a presença dessa grande-amiga-pra-todas-as--horas. Ela perguntou se não tinha problema fazer a viagem com a gente. Eu e meu irmão respondemos da mesma forma: "claro que não". Mas acabou tendo um pequeno probleminha: tivemos que dividí-la com pelo menos uma dezena de outros mochileiros, ou europeus, pelo caminho (até parece que sou ciumento).


    em Amsterdam

    Minha mãe mochileira tirou fotos, venceu o medo de avião todas as onze vezes que precisou voar, dormiu de beliche em quartos com 4, 6, 8, 10 pessoas desconhecidas. Tomou banho em banheiro feminino compartilhado. Foi pra "balada". Sentou no barzinho pra beber um pouquinho. Não falava espanhol, nem inglês (entrou no curso faz uns dois meses). Mas ensinou alguns europeus a contar de um até dez em português; e com outros simplesmente falava a "linguagem do coração", como ela gosta de dizer.

    Foi uma "parceira", como alguns disseram. Aliás, ganhou vários apelidos de companheiros de viagem. Tia Thê, Tia Terê, Tia Tetê e Mama. Mas uma australiana, pra quem minha mãe mochileira ofereceu uma uva num dos quartos de albergue em que ficamos, resumiu bem o que foi a presença dela nesses dias de jornada. "Great mom!".
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  3. Empresto a frase do Millôr pra falar um pouco mais sobre a experiência de ser um brasileiro viajando pelo mundo 'desenvolvido'. Nesses dias de mochilão, me intrigou a visão que alguns europeus - e até brasileiros - têm de nós.

    Vi que o Brasil 'vende' muito mal sua imagem lá fora. O nosso presidente vira manchete de jornais pelo mundo bebendo uma cervejinha - jogadores de futebol idem - e já nos tornamos os 'fanfarrões. Tanto que um sueco num albergue (hostel) onde fiquei hospedado na Alemanha me perguntou se não tinha cerveja e com a minha negativa soltou a piadinha: "You are not brazilian!".

    O cinema nacional também é parcialmente responsável por esse rótulo do jeitinho brasileiro de ser. Tocava por todos os cantos nas cidades que visitamos o funk trilha sonora do filme Tropa de Elite, "Rap das armas". Disse que era brasileiro a um europeu enquanto ele me acordava depois de chegar de uma balada às 5 horas da manhã. Ele imediatamente cantou os versos iniciais do funk e em seguida fez a pergunta: "Parapapapapapa... Você não tem maconha aí não?"

    Aliás, drogas e Brasil parecem até sinônimos para alguns gringos. O pai de um deles aconselhou ao filho, que andava com os brasileiros mostrando a cidade, que tomasse cuidado: "Veja se não são traficantes de drogas". A violência extrapola as fronteiras territoriais e nem na música, nem no cinema, estamos descolados dessa dura realidade social.

    Um conterrâneo que conheci por lá sente vergonha de um lado terrível da nossa cultura. Morando há mais de um ano no exterior, depois de ter largado um bom emprego no país pra trabalhar em um hotel, ele diz que não sente vontade de voltar a residir no Brasil. Se diz revoltado com a situação no país:

    - Aqui na Suécia temos corrupção sim, políticos corruptos. Mas aqui, quando a corrupção aparece, essas pessoas são punidas. No Brasil é aquela bagunça... - Ele se referia à situação atual no Congresso, com os seus Atos Secretos, e outros escândalos como "Sanguessugas", "Correios", "Mensalões", etc. E como o exemplo que vem de cima é seguido 'aqui embaixo' ele completou. "Não é só na política não. Aqui se alguém é pego dirigindo sem cinto de segurança ou embriagado é multado ou preso. No Brasil, paga-se uma propina e fica tudo por isso mesmo".

    Porém...

    Apesar das mazelas da violência, da lambança na política e de tudo o que nos torna "muito subdesenvolvidos", o brasileiro pode sim apresentar uma outra imagem, quando é visto de perto. Para encurtar o assunto, o tal pai acabou ficando tranquilo depois de conhecer as novas amizades do filho e até tomou uma cervejinha com alguns daqueles brasileiros.

    O outro que largou o bom emprego para trabalhar em um hotel sente saudades das amizades na terra natal. "O povo aqui é muito fechado, frio", revelando sentir falta do jeito 'aberto' e 'caloroso' dos brasileiros. Tanto que ele acabou gastando seu único dia de folga na semana para andar com os mochileiros que acabara de conhecer no metrô.

    Afinal de contas, representávamos as tantas boas características que a grande maioria de nós 'brazucas' temos de sobra: divertidos, animados, perseverantes, disposto, trabalhadores (de férias), corajosos... Enfim, brasileiros.

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