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  1. Good news

    19 de novembro de 2008

    Se essa moda pega. A reportagem abaixo é sobre uma edição falsa do The New York Times, que noticia o fim da guerra do Iraque. Qual manchete teríamos se fosse no Brasil? "Aprovada lei que garante prisão comum para políticos corruptos". Ou algo do gênero. E vocês, meus oito ou nove leitores, qual manchete gostariam de ler numa situação hipotética?


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    Grupo falsifica New York Times e anuncia fim da guerra do Iraque*



    Por Michelle Nichols (Reuters)


    NOVA YORK (Reuters) - Um grupo de zombeteiros distribuiu na quarta-feira mais de 1,2 milhão de exemplares falsos do jornal The New York Times, especialmente em Nova York e Los Angeles. "Termina a guerra do Iraque", era a manchete da edição, datada de 4 de julho de 2009.
    O material bem produzido, com 14 páginas, é supostamente obra de um grupo chamado Yes Men, cujos integrantes já se fizeram passar por funcionários da Organização Mundial do Comércio e anunciaram o fim da entidade.


    "É falso e estamos investigando", disse Catherine Mathis, porta-voz do NYT.
    Uma nota distribuída por um site criado para essa edição (www.nytimes-se.com) disse que o jornal levou seis meses para ser feito, e que a impressão aconteceu em seis gráficas. A distribuição ficou a cargo de milhares de voluntários.


    "Temos de garantir que (o presidente-eleito dos EUA, Barack) Obama e outros democratas façam aquilo para que foram eleitos", disse Bertha Suttner, que se apresenta na nota como um dos autores do jornal. "Após oito, talvez 28 anos de inferno (desde a eleição de George W. Bush e Ronald Reagan, respectivamente), precisamos começar a imaginar o céu."


    Na capa do jornal, o tradicional slogan do NYT - "Todas as notícias que vale publicar" - virou "Todas as notícias que esperamos publicar".


    Uma das notícias destacadas na capa diz o seguinte: "A ex-secretária de Estado Condoleezza Rice garantiu aos soldados que o governo Bush sabia desde bem antes da invasão que Saddam Hussein carecia de armas de destruição em massa".


    A suposta existência de tais armas -- hoje descartada -- foi o principal argumento do governo de George W. Bush para invadir o Iraque e depor o ditador Saddam Hussein em 2003.
    Outros títulos da primeira página dizem: "Aprovada lei do salário máximo"; "Nacionalizado, petróleo vai financiar esforços contra a mudança climática"; "Nação volta seus olhos para a construção de uma economia saudável".


    Na página 3, um anúncio de página inteira - também falso -- diz que a ExxonMobil celebra o fim da guerra do Iraque e que a paz é "uma idéia com a qual o mundo pode lucrar". A ExxonMobil, com grandes interesses no Iraque pós-Saddam, é a maior empresa de capital aberto do setor global do petróleo.


    Num panfleto distribuído aos voluntários que apanharam exemplares para distribuir, havia uma seção de "Perguntas Freq¼entes". Sobre "quem fez isso", a resposta é "quem sabe?. Há rumores de que o responsável seja um grupo de redatores de vários jornais tradicionais -- inclusive o The New York Times."


    Os Yes Men, retratados em um livro e um documentário em 2004, também já se fizeram passar por executivos da ExxonMobil e do Conselho Nacional do Petróleo para discursar numa conferência canadense sobre o petróleo.


    Em outra ocasião, se disfarçaram de agentes do órgão federal de habitação e prometeram, num evento diante do prefeito de Nova Orleans e do governador da Louisiana, liberar residências públicas abandonadas para milhares de habitantes pobres da cidade.


    Mas eles não são os primeiros a falsificar o NYT. Segundo o blog "City Room", ligado ao próprio jornal, o caso mais famoso ocorreu durante uma greve de jornalistas em 1978, e envolveu nomes como o repórter investigativo Carl Bernstein, o escritor Christopher Cerf, o humorista Tony Hendra e o editor da Paris Review, George Plimpton.



    *do portal G1
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  2. Música

    15 de novembro de 2008

    É como o verso da bossa
    O teu carinho constante
    Tua vontade distante
    Teus beijos tão raros
    Teus lábios necessários

    É como a cadência do samba
    Tua alegria de criança
    Teu corpo feito pra dança
    Sedução involuntária

    É como a música
    a melodia
    a companhia
    a nostalgia de não ter você

    você é música
    incompreensível boa música
    pros meus ouvidos
    a canção preferida
    na minha vida
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  3. Sobre escrever

    2 de novembro de 2008

    "Procura o que escrever, não como escrever." (Sêneca)

    "O escritor é um homem que, mais do que qualquer outro, tem dificuldade para escrever." (Johan Wolfgang Von Goethe)

    "É mais seguro escrever do que falar; falando improvisamos, para escrever refletimos." (Marquês de Maricá)

    "Se você não quer ser esquecido quando morrer, escreva coisas que vale a pena ler ou faça coisas que vale a pena escrever." (Benjamin Franklin)

    E uma frase minha postada ano passado:

    "Me faz feliz escrever. Adoro as palavras e o efeito que elas produzem, os sinônimos e antônimos, as entrelinhas; os substantivos e verbos com força de adjetivos de um texto jornalístico."
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  4. Assistimos nos últimos dias as "mais de 100 horas" de um seqüestro que não serviu mais do que para deixar claro o grau de espetacularização por que passa nossa sociedade. É a "sociedade do espetáculo", de que fala Guy Debord: "toda a vida das sociedades nas quais reinam as modernas condições de produção se apresenta como uma imensa acumulação de espetáculos."

    E tudo não passou de um espetáculo. Terminando, claro, de forma espetacular, para agradar os olhos da nossa mídia, que ainda vai poder repercutir por vários dias, as investigações, os depoimentos, o trabalho da perícia, fazer reconstituições, tentar entrevistar esse ou aquele envolvido "em primeira mão", entrevistar especialistas, produzir reportagens sobre a doação de órgãos, criticar o trabalho da polícia, e encontrar uma maneira de enfiar política (como já começou a acontecer) nisso tudo.

    Na sexta-feira vimos Fátima Bernardes "matar" Eloá e logo em seguida "reanimá-la" para todos os lares do Brasil que acompanhavam de perto, vidrados e horrorizados, os pormenores do caso. Foi a ânsia pelo "furo" que falou mais alto, numa informação errada passada por um assessor do Governo Estadual. E coitado do assessor: na GloboNews colocaram a informação na boca dele, sem ao menos terem a atitude (básica, contida em todos os manuais, cursos, livros e palestras sobre jornalismo) de checar a informação com mais uma ou duas fontes. É o lado negro da informação instantânea trazido pelas novas tecnologias.

    É claro, este assessor também foi burro de não ter tomado o devido cuidado com uma informação tão valiosa, sobre um caso tão delicado. Em nenhum outro canal de TV a informação foi dada em esquema de plantão, mas, segundo contaram-me alguns colegas de profissão (curiosos como eu), na internet, grande parte dos portais de notícias "em tempo real" seguiram a informação da grande emissora de TV.

    Por outro lado, vimos a mesma Rede Globo acertar em não se render ao sensacionalismo de outras TVs, que usaram o caso para ganhar audiência. Vide os pontos de vantagem que Brito Junior, e seu sensacionalismo disfarçado de trabalho a serviço da informação, obteve na manhã de sábado ao resumir seu variadíssimo programa na transmissão ao vivo do local do seqüestro. A Globo manteve sua grade, sem dar atenção exagerada e desnecessária ao caso. Até porque, como já sabemos, o seqüestrador acompanhava o noticiário e as informações atrapalhariam - como atrapalharam - o posicionamento dos policiais no local.

    Vimos técnicos e jogadores de futebol comentando o caso, por conta de uma camisa de time pendurada na janela. Vimos uma competente apresentadora querer 'ciscar' em outra área e dar uma de negociadora, sem o mínimo preparo. Vimos que o próprio seqüestrador gostava da atenção da mídia, quando ele acendeu e apagou as luzes do apartamento ao ouvir o pedido de um outro apresentador.

    A sociedade do espetáculo cria a necessidade do espetáculo nas pessoas, principalmente nas mais vulneráveis, a necessidade de se tornar "visível" para passar a "existir", porque só "existe" para a sociedade do espetáculo, aquele que foi veiculado de alguma forma na mídia. Agora, sobre os erros ou não da nossa despreparada polícia, só as investigações poderão dizer.
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  5. Já que só se fala em crise

    13 de outubro de 2008

    * do blog do Carlos Alberto Sardenberg

    A crise não acaba com uma tacada

    Postado em 09 de Outubro de 2008

    As pessoas ficam ansiosas com a crise porque têm uma percepção errada sobre como ela vai terminar.

    As pessoas, inclusive os especialistas no mercado, esperam ou torcem para que a crise termine com uma tacada, um grande lance das autoridades monetárias. Por isso, quando observam um grande lance sendo feito – como o pacote americano, o inglês e a redução coordenada de juros globais – e não percebem o imediato fim da crise, se desesperam e acham que não tem mais jeito. Isso desfecha ordens de venda – ou de compra, no caso nosso do dólar – e a crise aumenta.

    Por isso, é bom ter em conta que a crise não acaba de uma só vez, mas com a combinação de muitas medidas que são tomadas pelos governos, bancos centrais e pelos próprios participantes do mercado. Por exemplo, é preciso que os administradores das instituições financeiras ganham confiança para voltar a emprestar dinheiro para empresas e pessoas, a prazos razoáveis.
    No início deste semana, grandes companhias americanas só conseguiam tomar empréstimo para capital de giro por um dia.

    Portanto, não se desespere com as súbitas quedas dos mercados. Preste atenção no conjunto. Todos perceberão quando as peças começarem a se encaixar: a volatilidade vai diminuir.
    Não se concluirá então que a criser acabou, mas que a fase aguda passou. E aí se inicia a lenta recuperação da capacidade de crescimento.




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  6. Já tive uma banda

    6 de outubro de 2008

    Dar faxina em gaveta é sempre uma surpresa. Numa dessas encontrei um pedaço da minha adolescência que já nem me lembrava direito: eu já tive uma banda. Ou pelo menos quis ter, e planejava os caminhos dela com um amigo tão sonhador quanto eu. Aliás, somos todos sonhadores na adolescência, não é? Lembro que uns primos formaram um grupo de pagode (!). E eu com essa banda que tinha até nome: se chamaria “Prole” - a tradução do nome de uma banda que gostava muito na época (Off Spring). Quem me conhece deve achar estranho o fato de eu querer ter uma banda sem nem mesmo tocar um instrumento musical. Mas por causa da tal banda entrei em aulas de violão. Tentei. Só que os dois professores que tive desistiram de me dar aula. Aí eu desanimei. E a banda ficou literalmente na gaveta, com as letras de algumas músicas, das quais uma delas posto a letra aqui. “Sei que as vezes uso palavras repetidas”, e por isso a letra é cheia de “rimas fáceis, calafrios”.

    Longe amor

    Queria ser para você
    O grande amor da sua vida
    Queria ser para você
    Tudo o quê um dia nunca pude ser

    Quando olhava pra você
    Eu via o céu, eu via o mundo
    Agora é tarde pra lhe amar
    Porque você nunca vai mais voltar

    Tão longe amor
    Você está
    E meu amor não vou poder te dar
    Não vou te dar as flores do jardim
    E você não irá cuidar de mim

    Sempre quis amar você
    Mas a coragem foi que me faltou
    Agora é tarde pra dizer
    Pois de você nunca vou mais saber
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  7. Fui fazer prova pra um concurso público esses dias e não teve como não reparar. Na porta vende-se salgados, doces, sucos, chocolates e toda uma variedade sem fim de guloseimas. Um concursando à minha frente trazia um verdadeiro arsenal de comestíveis: três barras de cereal, biscoito, água, suco e chocolate! Pensei: "Cara, se você comer isso tudo nas quatro horas que temos pra fazer a prova terá uma bela de uma indigestão". Tudo bem que algumas pessoas ficam ansiosas, o que causa fome. Mas daí a levar todas as barras de cereal que encontrar pelo caminho para a sala da prova?! Alías a preferida dos concursos é a barrinha. Taí uma dúvida: será que existe algum componente milagroso nas barras de cereal que aumenta a inteligência, reduz a possibilidade do 'branco'?

    Nesse mesmo dia tive mais uma confirmação: Volta Redonda vai mesmo dominar o mundo. Pra onde quer que você vá, encontra alguém dessa cidade. Só no concurso encontrei duas, e uma delas fez prova na minha sala (improvável). Há duas semanas na Barra, encontrei com uma pessoa que fez cursinho comigo, e dia desses uma dessas estava no programa da Ana Maria Braga, num joguete de namoro na TV ('Agora vai'). Uma amiga me disse que no Caldeirão do Hulk uma vez entrevistaram uma brasileira em Miami e adivinha de onde a mulher era: Volta Redonda. Enfim...
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  8. 22 de setembro de 2008

    Em meio a uma sobrecarga de Los Hermanos foi-se o meu fim de semana. Descobri que o som dos irmãos se parece com Adriana Calcanhoto - e sua melancolia; tem a ver com Ultraje a Rigor - nos exageros de “ciúme”; Paralamas do Sucesso - na valorização que dão aos metais; se assemelha a Belchior - pelos 25 anos "à palo seco"; tem um quê de Secos e Molhados - na originalidade, e até Angélica tocam - sem pudores e preconceitos musicais. Marcelo Camêlo é vascaíno, time pelo qual simpatizo.

    Ouvi, pela milésima vez uma frase que me persegue: “Você precisa deixar de ser bonzinho!”. Mas que mal há nessa minha “bondade”? Já viram aquela comunidade: “bonzinho só se fode”. Eu já fiz parte, mas saí depois que aprendi que ser bonzinho nem é tão mau assim. Uma vez escrevi um texto revoltoso com meu excesso de benevolência, que achava eu, beirava a ingenuidade de ser bobo. Mas parei com essa bobeira. Afinal a bondade de coração é uma virtude, não é mesmo Jesus (com quem tenho conversado pouco ultimamente, mas que no fim de semana me deu a oportunidade de me achegar)?! Bem aventurança como ele diz.

    É fato que, as vezes, o bonzinho perdoa fácil demais, dá sua vez para outros, se importa demais com o bem estar geral da nação, e faz de tudo para apartar. Mas daí dizer que isso é ou não ruim. É lógico que uma maldadezinha de vez em quando não dói. Logo depois de ouvir essa frase, a mesma pessoa voltou atrás: “Ah, não deixa de ser como você é não”. É que no fim a bondade prevalece. Nos filmes o bem sempre vence, e coisa e tal.

    De onde vem a calma daquele cara?
    Ele não sabe ser melhor, viu?
    Como não entende de ser valente
    Ele não saber ser mais viril
    Ele não sabe não, viu?
    Às vezes dá como um frio
    É o mundo que anda hostil
    O mundo todo é hostil

    De onde vem o jeito tão sem defeito
    Que esse rapaz consegue fingir?
    Olha esse sorriso tão indeciso
    Tá se exibindo pra solidão
    Não vão embora daqui
    Eu sou o que vocês são
    Não solta da minha mão
    Não solta da minha mão

    Eu não vou mudar não
    Eu vou ficar são
    Mesmo se for só não vou ceder
    Deus vai dar aval sim
    O mal vai ter fim
    E no final assim calado
    Eu sei que vou ser coroado rei de mim.

    Marcelo Camêlo
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  9. "

    27 de agosto de 2008

    Algumas frases atribuídas à Gabriel Garcia Marquez, gênio da literatura de quem ultimamente estou 'devorando' um livro.

    "
    Aprendi que um homem só tem o direito de olhar um outro de cima para baixo para ajudá-lo a levantar-se.


    "
    É necessário abrir os olhos e perceber que as coisas boas estão dentro de nós, onde os sentimentos não precisam de motivos nem os desejos de razão. O importante é aproveitar o momento e aprender sua duração, pois a vida está nos olhos de quem saber ver.


    "
    Porque o jornalismo é uma paixão insaciável que só se pode digerir e humanizar mediante a confrontação descarnada com a realidade. Quem não sofreu essa servidão que se alimenta dos imprevistos da vida, não pode imaginá-la. Quem não viveu a palpitação sobrenatural da notícia, o orgasmo do furo, a demolição moral do fracasso, não pode sequer conceber o que são. Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderia persistir numa profissão tão incompreensível e voraz, cuja obra termina depois de cada notícia, como se fora para sempre, mas que não concede um instante de paz enquanto não torna a começar com mais ardor do que nunca no minuto seguinte.


    "
    Te amo não por quem tu és,mas por quem sou quando estou contigo.
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  10. Assessor que é assessor...*

    20 de agosto de 2008

    Jornalista Thais Torres, assessora de imprensa, fala dos desafios da profissão

    por Gabriel Araújo, especial para a UFJF

    Assessor que é assessor consegue divulgar a instituição ou pessoa para a qual trabalha até em uma entrevista sobre a profissão. Assim é a jornalista Thais Torres, chefe de jornalismo da assessoria de comunicação da prefeitura de Resende, no sul do estado do Rio de Janeiro. Em frases como “a prefeitura faz a sua parte”, Thais deixa transparecer o lado assessora, como quem encarna de verdade o trabalho de comunicação empresarial. Mas mesmo assim, fala com propriedade sobre os principais fatos e desafios que cercam o mundo do assessor.

    A jornalista acredita ser essencial o planejamento de comunicação para uma organização e diz que o melhor caminho para gerenciar uma crise é o diálogo aberto e honesto com os assessorados. Trabalha numa assessoria que tem estrutura de jornal de pequeno a médio porte e chefia uma equipe de seis jornalistas, além de coordenar profissionais da área como publicitários e RP’s.

    Na entrevista ela deixa claro que a ética é essencial, e que o jornalista não deve calar quando percebe atitudes antiéticas por parte do assessorado.

    Gabriel Araújo: Qual a sua experiência na área de assessoria de comunicação?

    Thais Torres: Com cinco anos de formada, acumulo hoje a experiência de duas assessorias de imprensa voltadas para política. Quando concluí a faculdade de jornalismo no Centro Universitário de Barra Mansa (UBM) já fazia estágio na assessoria de imprensa da Prefeitura de Barra Mansa e, em seguida, fui contratada. Ao todo, fiquei por lá mais ou menos dois anos. Saí apenas porque recebi uma proposta de emprego que iria me ensinar como administrar uma redação de um jornal diário. Depois de dois anos à frente da chefia de jornalismo do jornal, passei por um semanal, e em seguida fui convidada para integrar a equipe da assessoria de imprensa da Prefeitura de Resende. Inicialmente apenas para editar o jornal mensal, mas após seis meses, assumi a chefia da equipe de jornalismo onde estou até hoje. Isso já faz dois anos.

    GA: Qual a sua função na assessoria em que trabalha atualmente? E que tipo de trabalho você desenvolve?

    TT: Como disse anteriormente, sou chefe de jornalismo da Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Resende. Além de coordenar outros seis jornalistas, sou ainda a jornalista responsável pelos dois jornais mensais, um voltado para a população e o outro para o servidor público. Coordeno ainda as pautas do programa de rádio, supervisiono o conteúdo do site, edito e confecciono diariamente releases e notas para divulgação espontânea na imprensa regional, além de atender a imprensa e desenvolver - junto com a minha equipe - projetos especiais, como a elaboração de revistas, folders, banners, datashows, vídeos, entre outros.

    GA: Quantas pessoas trabalham na estrutura da assessoria da qual você faz parte?

    TT: A Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Resende é uma das mais completas que eu tenho conhecimento no Sul Fluminense. Ao todo, somos 18.

    GA: Quantos jornalistas, quantos publicitários e quantos relações públicas ?

    TT: Contamos com um assessor de comunicação, sete jornalistas e ainda na assessoria de imprensa: um fotógrafo, um cinegrafista e uma pessoa responsável pelo clipping de mídia impressa, já o de mídia eletrônica, assim como a publicidade e o site são serviços terceirizados. A Acom conta ainda com uma relações públicas, uma auxiliar de cerimonial e dois locutores. Trata-se de uma equipe e tanto, mas que produz como uma redação de um jornal diário.

    GA: Como você se atualiza para atuar em assessoria? Acha importante?

    TT: Considero muito importante atualização independente do ramo de atividade profissional. Na comunicação então é essencial, pois tudo é novo. Tudo muda um pouco de um dia para o outro. Para manter-me atualizada busco cursos de extensão como os do Comunique-se e, agora, faço parte da turma de pós-graduação em Comunicação Empresarial do Centro Universitário de Barra Mansa (UBM).

    GA: Você lê alguma revista ou outra publicação sobre comunicação empresarial?

    TT: Leio tudo o que posso com relação à comunicação. Ultimamente ando visitando muito o site da Associação Brasileira das Agências de Comunicação (Abracom). Gosto do que encontro por lá. As dicas são importantes e aprender nunca é demais.

    GA: Em sua opinião, como está o mercado na área de assessoria de comunicação?

    TT: O mercado de comunicação é (e sempre foi) muito fechado. Quando ainda estava na faculdade ouvi um professor dizer que quem filtrava os profissionais era o mercado. Ele dizia: os bons ficam. Concordo com ele. Claro que existem exceções, já que muita gente sabe enganar bem... Mas trata-se de um mercado fechado, difícil, que continua pagando baixos salários a nós, profissionais de comunicação – justamente – porque a mão de obra barata (os estagiários) ainda estão em voga. Embora existam tantos contratempos, a assessoria de comunicação ainda é um caminho para aqueles que se dedicam, trabalham com ética e, sobretudo, que valorizam a universalização da informação.

    GA: Qual é a importância do planejamento de comunicação para uma assessoria?

    TT: Fundamental. Tente imaginar uma assessoria de imprensa sem um planejamento de comunicação? Poderia tornar-se um caos, por exemplo, pela falta de prazos e os trabalhos a serem desenvolvidos poderiam não ser concluídos em sua plenitude. Quando falamos em planejamento, falamos em estruturação para que tudo dê certo, mesmo em casos de crises. Apenas com o planejamento de comunicação é que o trabalho desenvolvido por uma assessoria ocorre sem ruídos.

    GA: Como a sua assessoria trabalha a divulgação da responsabilidade social e ambiental, que hoje é uma premissa de toda empresa ou organização? E porque atualmente estes dois temas (responsabilidade social e ambiental) são tão importantes?

    TT: Atualmente as palavras chaves são: aquecimento global e preservação ambiental. Por quê? A resposta é óbvia mesmo. Porque depois de tamanho estrago ao meio ambiente, as corporações, as empresas privadas ou públicas perceberam que elas têm uma grande parcela de culpa nisto e pensaram: “Como nós poderemos reverter isso sem nos prejudicarmos?” Simples. Desenvolvendo responsabilidade social. Trabalhando para preservar o meio ambiente e, consequentemente, para conscientizar a todos sobre o aquecimento global.Resende, no interior do estado do Rio de Janeiro, possui uma característica peculiar das regiões serranas: sua natureza. Além de contar com o Parque Nacional do Itatiaia, é de Resende a vila charmosa de Visconde de Mauá. E é desenvolvendo projetos sócio-ambientais que vão desde a coleta de lixo seletiva até o ecoturismo com expedições à Pedra Selada, que a Prefeitura de Resende também faz a sua parte.

    GA: Na sua opinião a gestão de crises é importante?

    TT: A gestão de crises é importantíssima tanto para o assessor, quanto para o assessorado.

    GA: Como a sua assessoria trabalha o gerenciamento de crises? Tem abertura para trabalhar? Existe um programa com a previsão das possíveis crises que o assessorado poderá passar, para que os assessores possam atuar rapidamente?

    TT: Se for possível elaborar um “guia” para como enfrentar crises, elabore. Mas nem sempre temos tempo para isso, então o que fazer? O melhor caminho é o diálogo. Em Resende quando diagnosticamos uma crise, geralmente, fazemos uma reunião e definimos uma estratégia para neutralizarmos a imprensa e ganharmos um pouco mais de tempo para resolver o problema. Se podemos trabalhar preventivamente, melhor ainda...Passamos por uma crise há pouco tempo, mas dessas crises previsíveis com data marcada para acontecer, então, o que fizemos: por tratar-se de um assunto delicado e polêmico preservamos todos os possíveis interlocutores do Executivo e redigimos uma nota oficial assinada pelo Procurador Geral do Município. A nota só foi enviada a quem nos procurava para saber sobre o assunto e pronto: enfrentamos a crise e alcançamos o nosso objetivo. Portanto, não há dúvidas: é necessário trabalhar em equipe, com cautela e com coesão.

    GA: Em sua opinião, quem tem o melhor perfil para chefiar uma assessoria de comunicação, jornalista, publicitário, RP, ou outro profissional? Porque?

    TT: Por tratar-se de uma assessoria de comunicação, ela deve ser gerenciada por quem entende do assunto e isso significa que tanto pode ser um jornalista, um publicitário ou um relações públicas. Mas é claro que quem estiver à frente deve compreender a necessidade de cada área.

    GA: Mas existe algum profissional que não tem este perfil?

    TT: Isso já fica mais complicado quando a pessoa tem formação em administração, por exemplo. Muitos por terem feito administração caem em chefia de assessorias de comunicação, mas apesar de aprenderem na faculdade a administrar, eles não obtêm sucesso em empresas de comunicação. É necessário muito mais feeling do que regras administrativas.

    GA: Como a assessoria de vocês trabalha o feedback da comunidade sobre as ações desenvolvidas?

    TT: Trabalho em uma Prefeitura, portanto, para a população. Nosso feedback das ações desenvolvidas pela atual administração vão desde a imprensa local, a ouvidoria, passando pelo fale conosco do site oficial, chegando aos nossos programas de rádio - onde o microfone é aberto a quem quiser tirar suas dúvidas, elogiar ou reivindicar ações e ainda aos jornais impressos, onde a comunidade tem a oportunidade de perguntar ao prefeito porque a rua dela ainda não foi asfaltada, por exemplo.Mas o trabalho in loco também é um grande termômetro. Produzimos no mês passado uma edição especial do jornal e, como disse, vamos às ruas apurar, mesmo, a opinião das pessoas que vivem por lá. O gancho era: “a isenção no IPTU para mais de 21 mil famílias” e o feedback foi maravilhoso. Eles ainda não sabiam da isenção, justamente, porque ainda estávamos produzindo o material de divulgação e quando souberam as reações foram diversas: uns desconfiavam, outros ficavam alegres e quase todos perguntavam: “É para sempre?”. Feedback melhor que cidadão, não há.

    GA: E o relacionamento com os meios de comunicação, quais são as principais dificuldades e facilidades?

    TT: Ganhei a chefia de jornalismo da Prefeitura de Resende, justamente, porque a pessoa que ocupava o cargo não se comunicava com os meios de comunicação, isso significou um desgaste grande entre a Acom e os veículos. Por estarmos localizados em uma região pequena e por não contarmos com muitos órgãos foi fácil reverter à situação e hoje contamos com o apoio dos principais meios de comunicação, exceto aqueles que fazem oposição por oposição.Fizemos um planejamento. Fazíamos as pautas diárias, mas não deixávamos de produzir - com exclusividade - material para os jornais semanais e ainda produzir matérias para as TVs. Tudo o que nos interessa é mídia espontânea e estamos obtendo êxito.O único problema é que, por trata-se de uma região tão pequena, muitos produtores e jornalistas têm os números dos telefones celulares de secretários e coordenadores - o que dificulta nosso trabalho e fazendo com que - às vezes - fiquemos “vendidos”. Agora a pouco todos os celulares corporativos da Prefeitura mudaram, então, informei uma estratégia nova: - a partir de hoje ninguém passa o número de celular dos secretários para ninguém. Tem dado certo, por enquanto...

    GA: Qual a importância da ética para o assessor de comunicação? Dê exemplos de situações em que você precisa lidar com questões éticas e quais as saídas?

    TT: Isso é um ponto crucial para o assessor. Seja ele assessor de um político ou de uma rede de shoppings. Ética é um valor do ser humano, mas no trabalho, muitas vezes somos obrigados a passar por cima dela. Não trata-se de uma tarefa fácil, por esse motivo é necessário buscar um ponto de equilíbrio. Por exemplo: se for possível que o assessor indique o melhor caminho, não exite, mesmo que a resposta seja um “não”. Lembre-se que ao menos você tentou.Entretanto quando o caso for extremamente grave e isso for realmente contra tudo o que sabe que é certo, pense em uma estratégia para que seu assessorado imagine que continue certo e divulgue de maneira correta, ou pelo menos, coerente, a informação.Existem muitos profissionais no mercado que seguem ao “pé da letra” aquele ditado popular: “manda quem pode, obedece quem tem juízo”. Eu penso diferente. Posso até fazer muita coisa contrariada, mas ao menos eu “luto” pelo que acredito que seja ético e tento revelar ao meu assessorado que o caminho optado, por ele, pode gerar muito mais ônus que bônus.

    GA: Você conhece o código de ética da Associação Brasileira de Agências de Comunicação? Se sim, qual sua visão sobre?

    TT: Conheço pouco. Mas pelo o que li trata-se de um código de ética mais real do que utópico. Ele prega por respeito, justiça, igualdade, solidariedade, diálogo e honestidade. Fatores que estão intrínsecos no ser humano. Por esse motivo pode ser considerado um código de ética voltado para a nossa realidade. Ele estabelece uma série de princípios e prevê sanções associativas às agências filiadas que venham a desrespeitar suas diretrizes.

    GA: E o código de ética dos jornalistas? Idem.

    TT: O código de ética dos jornalistas é utópico para o Brasil, mas não utópico por nossa culpa, e sim, porque quase tudo o que está escrito lá não é respeitado, justamente por não estar de acordo com a atual realidade. Ou é isso, ou a maioria dos jornalistas não faz idéia do significado da palavra. Por exemplo: qual é o paparazzi que se preza, que respeita o direito à privacidade do cidadão, especialmente, quando se trata de um famoso? O código escrito em 1987 é bom, mas deveria ser atualizado.

    ...

    (*): Publicada originalmente no blog www.sorrisosplasticosvblog.blogspot.com, da jornalista Thaís Torres - mantive a edição feita por ela em seu blog. É uma pequena homenagem a esta grande profissional que me ensinou muito quando foi minha chefe de reportagem nA Voz da Cidade. Parte integrande de um trabalho para o Curso de Comunicação Empresadial da UFJF, a entrevista mostra um dos lados da Thaís, a profissional assessora de comunicação, à época que trabalhava na prefeitura de Resende.

    Como muitos amigos e colegas já disseram, ela deixará saudades. Em momentos como este gostaríamos de brincar de Deus e mudar a história.
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  11. Meio termo

    17 de agosto de 2008

    Não me desespero mais
    Nem tampouco espero
    A paixão que eu tinha por tudo o que era vivo a minha volta
    é revolta, mas ainda assim não desapaixono.

    Os enganos de sempre nem me perseguem tanto
    Mas nem por isso é feito de desenganos o meu canto.
    A falta de alegria não é tristeza
    Nem é felicidade, a inexistência de sofrimento

    Não é tudo e nem é nada pra ser sincero
    Mas nem dizer verdade é o que quero
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  12. Aprecie com moderação

    12 de agosto de 2008

    Um chopp bem gelado no fim do dia, ou no fim de semana a tarde com os amigos. É um bom programa para todos aqueles que apreciam a famosa bebida feita de malte, lúpulo e fermento. Mas para que muitas pessoas desfrutem do prazer de uma deliciosa tulipa de chopp é necessário o trabalho de pessoas como seu Arnaldo, assistente de cervejeiro, para quem a cerveja é um ofício ao qual ele se dedica há mais de 30 anos.

    Arnaldo já perdeu a conta de quantos litros de cerveja fabricou. Porém, atualmente, trabalhando na cervejaria Mistura Clássica em Volta Redonda, afirma que saem dos tonéis direto para os copos de apreciadores em todo o Brasil e no exterior mais de 30 mil litros de chopp e cerveja por mês.

    Como todo bom cervejeiro, o assistente não gosta quando chamam de espuma o creme que surge quando a bebida passa dos barris para as tulipas. “Uma cerveja artesanal não tem espuma mas sim creme”, enfatiza, explicando que para cada tipo de chopp há uma quantidade certa de colarinho que, entre outras coisas, dá sabor e ajuda a manter a temperatura ideal da bebida.

    Vários tipos diferentes de cerveja. Outro segredo que o cervejeiro revela ao falar um pouco mais da sua rotina. “Aqui produzimos Amber (maior teor alcoólico e coloração escura) e Pilsen (mais suave, seco, e coloração clara), mas existem vários outros tipos”, diz, apontando que a temperatura é um fator essencial para o bom chopp.

    A rotina de Arnaldo começa às quatro horas da manhã na fábrica. O trabalho é artesanal e, segundo ele, exige muita técnica e paciência. Antes de ser gelada, a cerveja passa por três estágios: mistura, fermentação e cozimento. Depois, de cada lote de cerveja fabricada é retirada uma amostra que será testada em relação ao sabor e pureza.

    Apaixonado pela profissão e pelo bom chopp, o assistente de cervejeiro brinca afirmando que deixou de beber durante a semana, apesar de passar o dia provando amostras dos tonéis fabricados por ele. “Aqui é o meu trabalho, nos finais de semana sou um apreciador”. E quando perguntado se gosta da profissão ironiza: “É um emprego ruim. Muita gente nem gostaria de estar no meu lugar”, diz.



    ...
    Nota do jornalista: Como a maioria das boas histórias, esta surgiu de repente, sem querer. Conheci seu Arnaldo no aniversário de um amigo, quando este me pediu para ir de carro buscar mais chopp e acabei sendo acompanhado pelo próprio cervejeiro que me contou um pouco da sua rotina. Acabei aprendendo um pouco mais sobre este delicioso e gelado ofício e ainda ganhei uma taça de um dos melhores chopps Amber, com seis dedos de espuma, ops, creme, que já tomei.

    Veja também: www.cervesia.com.br. Apreciem com moderação e se forem dirigir não bebam, agora é lei.
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  13. De mim

    9 de julho de 2008

    Sei que posso ser quem sou sem ser só um.

    Mas
    Me vejo vedado no véu da vontade, verdade.
    Por isso, preciso sair, sumir, sentir
    Às vezes voar, velejar pra ver
    Pra saber pra onde ir
    Sim

    Saber que posso ser quem sou sem ser só um.
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  14. Som raro e “só para raros”

    1 de julho de 2008

    O espetáculo vai começar. É essa a sensação de quem escuta a obra d’O Teatro Mágico, seus CD’s e músicas baixadas na internet. Uma banda-trupe singular no cenário musical - tão dominado pela mesmice dos genéricos americanos - faz um som nacional. Genuinamento brasileiro, porque afinal o Brasil é a mistura de sons e cores que fazem parte do repertório do TM.

    A banda de Osasco (SP) é uma verdadeira trupe de artistas com cantores, instrumentistas, atores, malabaristas, trapezistas, e o que mais couber no imaginário dos seus formadores. O show é uma grande variedade de música, encenações teatrais, espetáculos circenses, com direito a integrantes maquiados de palhaço.

    O Teatro Mágico é único no cenário nacional por diversos motivos. As influências existem, é claro. Quem escuta sem muito critério fala que a banda se parece com Engenheiros do Havaí - provavelmente por conta do ator principal da banda Fernando Anitelli, cujo timbre de voz se assemelha ao do vocalista da banda oitentista. Zeca Baleiro, Raul Seixas e até um pouco de Mutantes podem também ser pinçados do som “para raros”* do Teatro. Essa mistura, porém, não torna a banda “mais do mesmo”, muito pelo contrário, dá às suas canções uma sonoridade ímpar.

    Em seu acervo de encantamentos, a banda-trupe-circo traz letras de uma poesia simples e bela. É como um sarau, onde música, poesia e idéias soltas se misturam. São poemas transformados em canção. Violinos, flautas, gaitas, violão, sons chiados de rádio, e outras experimentações sonoras completam as boas letras.

    “Sem horas e sem dores
    Respeitável público pagão
    Benvindos ao Teatro Mágico.”


    *Entrada Só Para Raros é o nome do primeiro CD do TM. O segundo disco já lançado chama-se O Segundo Ato.
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  15. Simplesmente, grandemente

    10 de maio de 2008

    Não é preciso ganhar sempre. Levar vantagem em tudo. Às vezes é mais humano perder o lugar, dar a vez, deixar o outro ter a sua vez. É pra falar de amor, doação e coisas do tipo. Sair um pouco do “eu”, pra pensar um pouco em nós. Eu e você, não. Deixa isso também de lado, por enquanto. É pra falar da gente.

    Fazer pelos que fazem por nós, é fácil demais, nada de mais. Mas, doar um pouco pelos distantes, nossos “próximos/semelhantes”. Doar do nosso tempo. Um pouco. Fazer o que podemos. Dar lugar no ônibus. Jogar no lixo. Não usar descartáveis. Fazer a nossa parte. Simplesmente.

    Ou grandemente. Fazer o bem. Aquilo que tantos grandes homens e mulheres já nos ensinaram. “Morrer” um pouco pelos que têm um pouco menos que nós. Dar o que temos de melhor. Nossos talentos, nosso trabalho. Ser um palhaço no hospital para as crianças com câncer. Ir até os leprosos. Tentar mostrar que somos todos iguais nas nossas belas e necessárias diferenças. Cobrar. Revolucionar. Levantar bandeiras, pressionar. Não deixar barato, pensando em “todo mundo”. Procurar saber; agir. Não votar mais neles.

    Nada de novo nisso tudo. É que andamos muito voltados para o “eu” e, no máximo, o “eu e você”. Boas coisas, aliás. Só que não é tudo. Esse outro jeito de amar anda me fazendo falta ultimamente.
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  16. Parque Nacional de Itatiaia

    27 de abril de 2008


    Poranga



    Véu da Noiva







    Maromba







    Lagoa Azul


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  17. Um ano

    11 de abril de 2008

    O Vencedor

    Marcelo Camelo

    Olha lá quem vem do lado oposto
    Vem sem gosto de viver
    Olha lá que os bravos são escravos
    Sãos e salvos de sofrer

    Olha lá quem acha que perder
    É ser menor na vida
    Olha lá quem sempre quer vitória
    E perde a glória de chorar

    Eu que já não quero mais ser um vencedor,
    Levo a vida devagar pra não faltar amor
    Olha você e diz que não
    Vive a esconder o coração

    Não faz isso, amigo
    Já se sabe que você
    Só procura abrigo
    Mas não deixa ninguém ver
    Por que será?

    E eu que já não sou assim
    Muito de ganhar
    Junto às mãos ao meu redor
    Faço o melhor que sou capaz
    Só pra viver em paz.
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  18. OLHE DE NOVO

    Não achei que tinha dado ibope, mas depois de ter ficado duas horas com uma amiga no MSN tentando dar dicas sobre os nomes das bandas aqui representadas e de um comentário pedindo as respostas aí vai:

    Gorillaz
    Rollin' Stones (Os mais óbvios)
    Led Zeppelin
    Eagles (As águias)
    White Snake
    White Zombie
    Queen
    Prince
    Sex Pistols (nas mãos da rainha)
    Seal (a foca atrás do zumbi branco)
    Scissor Sisters (as irmãs tesouras)
    Three doors down
    U2 (dois u's pixados na parede)
    The invisible man (atrás da mesa de frutas)
    Beach Boys (os dois com as pranchas)
    Alice in chains
    Eminem (Os M&M's no chão)
    Match Box 20 (no chão)
    50 Cent
    Smashin Pumpkins
    Red Hot Chilli Peppers
    Madonna (o quadro da mulher com o bebê)
    Garbage
    Hole
    The Police
    Radiohead
    Blind Melon (a melancia com os óculos escuros)

    Agora olhe de novo. Você vê mais algum? Se sim, poste comentários.



    Tá vendo a figura aí em cima? Um amigo me mandou pelo msn e achei divertido passar alguns minutos "exercitando". No meio desse quadro se encontram várias figuras que se referem a nome de bandas ou cantores em inglês ( algumas bem na cara, outras nem tanto). Aproveite!
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  19. Quem entre os que trabalharam no Diário do Vale consegue esquecer Dicler Simões feliz da vida por ter conseguido a manchete do dia seguinte? Era o exemplo vivo do jornalista romântico, que respirava jornalismo sete dias por semana, 24 horas por dia, nas folgas e no tempo livre. Fazia o tipo de jornalismo que me fez querer cursar a faculdade de comunicação. Aquele jornalismo que tem a pretensão de "mudar o mundo".

    O 'Jacaré', Diclerzão, Jaca, deixa saudades a todos que passaram por sua vida. Nos meus quatro anos de trabalho no Diário do Vale, confesso que tentava , todos os dias, aprender um pouco mais com Dicler. Seu jeito de apurar, de contar uma história, de "esquentar" uma notícia, de cativar uma boa fonte, como ninguém fazia igual. Era o jornalista que saía por último da redação, andava sempre com o rádio de escuta, sentado em frente ao computador com seu bloco de reportagem, caneta, copo de café e cigarro na boca, como a gente vê nos filmes, ouve histórias de professores na faculdade, ou lê nos livros.

    Quem não se lembra de ter ligado para o Jacaré para contar sobre um "notícia" que acabara de "acontecer" e ouvia dele um "Já estou sabendo" com todos os detalhes possíveis, como se estivesse no local? Quem esquece das informações que um repórter levava horas para apurar e que Dicler, com um ou dois telefonemas, conseguia levantar? Lembro das vezes em que pedia um telefone de uma fonte (que tinha certeza que teria) e o Jacaré tirava aquela velha caderneta da gaveta com telefones de todo mundo anotados ou rabiscados desde a cabeça da página até o rodapé.

    Para mim, pessoalmente, um exemplo de profissional e de vida. Trabalhou até o fim, apaixonado pela profissão. Ouvi dizer que na quarta-feira, quando ligaram do jornal para saber seu estado de saúde, Jacaré teria perguntado: "Já conseguiram a manchete?" Era assim Dicler Simões, um jornalista apaixonado que vai deixar saudades.

    Mais informações sobre Dicler Simões no site do Diário do Vale
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  20. Coração do meu Brasil

    20 de março de 2008

    Gente por todo lado. Vans e kombis, muitas. Em número que supera o de carros. Pessoas gritando, andando, correndo, falando ao celular. Quiosques, barracas, carros de som, promoção. Cheiro ruim, lixo, esgoto, suor, perfume. Ritmo acelerado. Estou no Rio de Janeiro. Mas o Rio de Janeiro de verdade. Diferente daquele que a gente só vê na Zona Sul, com praias, gente de terno e gravata, ou sunga, biquíni e saída de praia. Nada de iates, lanchas, carros do ano, mendigos, maltrapilhos, aleijados, cachorros, velhos, travestis, espalhados pelas calçadas. Nada de prédios altos, antigas construções, ruas largas, estações de metrô. Nada do Rio do “centro da cidade” onde vamos quando precisamos tirar um documento importante, pegar um avião, prestar vestibular ou assistir a um jogo no Maracanã.

    O Rio é muito mais que isso. E só fui me dar conta agora, que estou morando “lá”. A cidade é uma infinidade de bairros diferentes com estrutura de verdadeiras cidades. Tem muita gente que passa meses sem ir ao centro. Nada do Rio que nos mostram rachado no meio entre favelas e urbanismos. O Rio não tem apenas dois lados: tem três, quatro, cinco... Uma cidade plural, com gente como eu e você. Pessoas que moram em casas de um, dois andares, em ruas comuns com pracinha, lanchonete, sorveteria, quiosque de açaí. Cariocas de verdade, que puxam o X, falam alto, são prestativos, agitados, adoram carnaval (ah, o carnaval!!!). Cariocas de todos os jeitos, como o Rio é de todos os jeitos. Um Rio de Janeiro onde "dá pra sair de noite" sem levar uma bala perdida ou topar com uma blitz da PM. Agora começo a conhecer uma cidade maravilhosa, cheia de encantos mil.
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  21. Cadê a fé

    24 de fevereiro de 2008

    Cadê a fé?
    Que me movia
    Movia montanhas a minha volta

    Onde está ela?
    A esperança
    Que me trazia sempre de volta

    Cadê a fé?
    Que não se acabaria
    Sempre seria a minha escolta

    Onde está ela?
    Que não deixava
    O sofrimento.
    Ou pelo menos, nestes momentos,
    A dor levava.
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  22. Eu que nunca gostei mesmo de futebol

    27 de janeiro de 2008

    Quarta-feira à noite. Dia de futebol na TV. Mas eu, prefiro ir pro quarto ler um livro, escutar uma música ou simplesmente dormir. Parei pra pensar sobre isso dia desses. E cheguei à conclusão: nunca gostei mesmo de futebol. Tenho meus momentos de torcedor, confesso, de quatro em quatro anos na Copa e vez ou outra numa final em que o time pelo qual digo torcer vai jogar.

    Desde pequeno, nunca me fizeram me interessar pelo futebol. Sim, porque é algo cultural. Não uma vontade que nasce com a gente. A não ser para aqueles que têm o talento para o futebol, como muitos moleques desse Brasil. Meu pai nunca foi o bom de bola e nunca se importava em dizer para mim: “Chuta, chuta”. Ele se importava sim em me ensinar outras coisas muito importantes para a formação do meu caráter.

    O fato é que, não gostar de futebol, ou não se importar com os 22 jogadores, três árbitros e uma bola, me tira do convívio das pessoas, por pelo menos duas horas e me exclui de algumas conversas no dia seguinte, ou durante toda a semana quando se trata de um clássico.
    Eu até tentei jogar futebol, admito, mas nunca me interessava.

    Uma vez quando era muito pequeno – devia ter uns 7 anos – jogava na rua de um primo bom de bola e aficionado pela coisa. O gol era a garagem de uma casa abandonada. E os times eram formados por adultos e crianças. Uma brincadeira saudável. Talvez por isso jogasse. Porque, se fosse realmente uma competição, provavelmente não jogaria. Mesmo assim ficava sempre atrás, olhando acontecer.

    Até que por um acaso do destino a bola veio parar nos meus pés. Dei um chute certeiro por debaixo do goleiro que pulava para tentar pegar a pelota. Gol. E todo mundo se admirou, já que todos sabiam que eu realmente não era chegado. Vibrei. Mas passou. Não seria por isso que eu, que nunca gostei mesmo de futebol, passaria a gostar.



    Nem por isso também, deixei de ir a um estádio assistir a uma partida. Porém, mesmo quando fui, minha reação não era a mesma dos outros. Não prestava muita atenção ao jogo em si. Jogadas, faltas, dribles e outras coisas que fazem parte da futebolística. Prestava mais atenção na reação das pessoas. Nos gritos de guerra das torcidas, nas bandeiras, xingamentos e etc. Talvez fosse o lado jornalista - de observar de fora - já falando mais alto. A experiência de ir a um estádio? Muito boa. Tanto que voltei outras algumas vezes.

    Não sei por que escrever sobre isso, mas o futebol está tão presente na vida de nós brasileiros que deve haver uma necessidade de justificação. Eu que nunca gostei mesmo de futebol, talvez nunca chegue a saber o que é torcer por um time, vestir o uniforme para assistir a um jogo com os olhos na TV e os ouvidos no radinho de pilha, ou então sair pra jogar numa terça-feira a noite com os amigos. Mais ou menos um peixe fora d’água mas que nem por isso deixa de ser brasileiro.
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  23. Uma espécie de corrente

    19 de janeiro de 2008

    Interessante esse negócio de blog. Sem muitas pretensões começamos a postar textos, comentários, fotos e etc. De repente, começam a surgir comentários de pessoas que você nunca viu na vida, porque viram seu endereço em outro blog, que gostaram do que leram e que passam a visitantes assíduos. Adcionam links do seu blog no delas e pronto: lá está uma espécie de corrente que se inicia e que você não sabe onde vai parar. Blá, blá, blá...
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  24. Vamos fugir..

    13 de janeiro de 2008


    O sol


    A lua


    Fotos: Tainah Coutinho

    Tiradas na Ilha Grande, Aventureiro, no ano novo. Como eu queria ter ido pra esse lugar! Vamos fugir?
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  25. Um breve balanço

    1 de janeiro de 2008

    E porque não começar o ano com aquele sentimento de otimismo? Aquele pensamento de que tudo vai dar certo. Que mal há nisso? Mesmo sabendo que, ao final, nem tudo vai dar certo, algumas coisas vão dar muito errado, outras não vão sair do jeito que se queria, outras ainda vão ser terríveis surpresas. Tenho certeza, porém, que muita coisa vai dar certo, outras coisas vão ser melhores do que se esperava e outras ainda vão ser agradáveis surpresas.

    Em 2007 foi assim. Vi que tinha amigos de verdade. E com esses amigos eu viajei por aí. E como viajei. A esses amigos só tenho a agradecer e agradecer, sem medidas. De outros amigos me distanciei, e senti saudade, mas amizade que é amizade mesmo não acaba, como dizem por aí. Alguns amigos reencontrei e matei saudade. Com uma amiga dancei. E como foi bom dançar! Me aventurei na dança de salão e gostei. Tintintum. Inesquecível. Tive o melhor baile de formatura do mundo. E tenho saudades de vocês, colegas e amigos de turma! Comecei a estudar de novo e não quero parar.

    Uma palavra pra definir este meu ano: EXPERIÊNCIA. Tanta experiência que parece que foram 10 anos dentro de um. Experimentei muito. Experimentei voltar atrás, e não deu certo. Experimentei passar noites em claro bebendo e me divertindo com meus amigos, e me diverti. Experimentei algumas coisas pela primeira vez – umas gostei, outras descartei. Escrevi muito. Experimentei escrever sobre mim e criei um blog. E gostei. Arrisquei. Fui “obrigado” a parar de escrever, e deixar de lado uma das minhas grandes paixões. Por quê? Ainda não sei, mas to descobrindo. E se um dia achar q não valeu a pena, eu volto. Com isso tive que “deixar” pra trás grandes amigos. Jornalistas, sinto falta de vocês!

    Superei um amor e amei de novo. Achei que não aconteceria (está aí uma daquelas agradáveis surpresas). Vivi um “grande amor”. E valeu a pena. Foi, mas valeu a pena. Me despedi da minha irmã, que foi pra longe. E senti saudades. Fiquei mais perto do meu irmão e gostei muito (uma das melhores companhias que eu já tive). Percebi que meus pais são os únicos que vão estar do meu lado pra sempre – porque muitos amigos vem e vão.

    2007 foi o ano que valeu a pena. Todas as maluquices, porres, amizades, lágrimas, mudanças. Foi o ano das mudanças. (Aliás, estou de mudança: moro no rio definitivamente a partir de amanhã). Mas a maior mudança foi dentro de mim. Mudei drasticamente algumas maneiras de ver o mundo, e gostei. Aprendi com o mestre Aluízio que tudo o que está cristalizado não é bom e que o melhor é a constante mudança. Tive a coragem de largar velhas traquitanas e enchi a minha vida de novidades.

    É por isso que faço esse balanço de 2007 e começo 2008 com otimismo sim, apesar de saber que nem tudo vai ser do jeito que eu quero. Sei de uma coisa: vai ser o melhor pra mim.


    O Ano

    (Carlos Drummond de Andrade)

    Quem teve a idéia
    De cortar o tempo em fatias,
    A que se deu o nome de ANO,
    Foi um indivíduo genial,
    Industrializou a esperança,
    Fazendo-a funcionar
    No limite da exaustão.
    Doze meses dão para qualquer ser humano
    Se cansar e entregar os pontos.
    Aí entra o milagre da renovação
    E tudo começa outra vez, com outro número.
    E outra vontade de acreditar
    Que daqui por diante vai ser diferente

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